O Conselho de Defesa da Unasul concluiu hoje uma reunião extraordinária em Quito, onde pactuou um documento sobre medidas de confiança e segurança na região, embora deixou em suspenso uma decisão sobre o tema das bases militares colombianas usadas por tropas americanas.
O chanceler do Equador, Fander Falconí, país que ostenta a Presidência pro tempore da Unasul, avaliou como um “êxito” o resultado da reunião de hoje, embora dissesse que ficaram pendentes alguns assuntos, como uma decisão sobre a situação em Honduras e sobre a tensão política entre Venezuela e Colômbia.
“Depois de intensos diálogos políticos e técnicos com um nível de altura (…) chegamos a um conjunto de resoluções que são beneficentes para a região”, assinalou Falconí, após dizer que a Unasul também se propôs chegar a ser uma região livre de presença de bases militares estrangeiras.
O chanceler equatoriano destacou os avanços na doutrina de segurança para a região, com resultados “ótimos”, porque se deram em poucos meses, enquanto na União Europeia demorou décadas.
“Há toda uma primeira resolução que é a criação de medidas de confiança e segurança mútua” na região, em um documento de consenso que inclui vários aspectos, mencionou Falconí.
Destacou que se recuperou a confiança na região com mecanismos claros de verificação, com a homologação dos dispositivos de despesas militares e com garantias para que os acordos extra-regionais não menosprezem a soberania de algum país ou a região.
A Unasul “se fortalece”, embora “o caminho não esteve isento de dificuldades. Estamos dando um passo para frente sumamente importante”, disse Falconí.
De seu lado, o ministro equatoriano de Defesa, Javier Ponce, coincidiu em que se discutiram “a fundo” os problemas regionais, o que permitiu impulsionar um “documento de consenso”, embora com temas pendentes que se irão resolvendo em breve.
Ponce destacou, sobretudo, que os membros da Unasul identificaram a “necessidade de caminhar para uma região livre de presença de bases militares extra-regionais”.
Também afirmou que o documento pactuado hoje inclui um capítulo de troca de informação e transparências que supõe a criação de “uma rede” que permita a todos os países-membros “dar transparência” às suas estratégias e manobras.
O ministro disse que, além disso, ficam claras medidas de verificação e participação dos países de Unasul em manobras militares que se possam executar no marco de convênios regionais e extra-regionais.
Apesar dos avanços, acrescentou, ficam para o Conselho Sul-americano de Defesa tarefas pendentes, como a de trabalhar num plano para conhecer de melhor forma a realidade militar e de segurança na região.
Outro dos assuntos que não se pôde resolver na reunião de Quito foi o que se refere à situação de Honduras, embora Falconí lembrou que Unasul já condenou o golpe de Estado contra o presidente “legítimo” desse país, Manuel Zelaya.
No entanto, não se resolveu se a Unasul não reconhecerá as próximas eleições hondurenhas, embora lembrou que o Equador já o fez. “Não vamos reconhecer a nenhum Governo golpista e ilegítimo”, acrescentou.
Também confirmou que a secretária de Estado de EUA, Hillary Clinton, enviou uma carta à reunião do Conselho de Unasul, na qual explicava sobre o pacto militar com a Colômbia, embora disse que isso não modificou, “em nada, as resoluções” que se hão “adotado agora”.
Apesar das ausências de vários chanceleres e ministros da Defesa, o ministro Ponce destacou a presença de altas autoridades de sete países e de delegados que assistiram à reunião com “plenas atribuições de seus respectivos Governos”.