Um dos mais antigos comissários-chefes da Polícia do Reino Unido, buy Richard Brunstrom, this defendeu hoje liberalizar o consumo de drogas no país, alegando que estas nunca estiveram tão disponíveis no mercado nem tão baratas.
O comissário-chefe da Polícia do Norte de Gales qualificou de “fracasso” o atual combate às drogas, baseado na proibição de seu consumo e distribuição, segundo o jornal “The Independent”.
“Se a política de drogas deve ser no futuro pragmática e não moralista ou dogmática, será preciso pôr fim à atual posição proibitiva por ser imoral e inviável e substituí-la por um sistema unificado baseado em provas e que inclua o tabaco e o álcool, voltado a minimizar os danos à sociedade”, afirmou Brunstrom.
As propostas do comissário não serão bem recebidas pelo Governo trabalhista, segundo o jornal, que lembra que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou este ano que o atual combate aos entorpecentes seria intensificado.
A oposição conservadora também se opõe a esta liberalização e pede a criação de uma Polícia de fronteiras especializada em impedir que as drogas entrem no país.
Em sua proposta polêmica, o comissário-chefe do Norte de Gales ressalta que, só na Escócia, 13 mil pessoas morreram em decorrência do tabaco e outras 2.052 por causa do álcool. Já as drogas ilícitas causaram a morte de 356 pessoas.
A pena máxima por posse de um narcótico do tipo A – o considerado mais perigoso, como cocaína ou heroína – é de 14 anos de reclusão, enquanto o tráfico de entorpecentes pode ser punido com prisão perpétua.
Segundo Brunstrom, o consumo de drogas na Inglaterra e em Gales custa cerca de 17 bilhões de libras (25 bilhões de euros) ao ano, dos quais 90% correspondem a atividades criminosas.
Na opinião do chefe da Polícia, a proibição gerou uma crise no sistema penal, desestabilizou países inteiros – os produtores – e corroeu os direitos humanos no mundo todo.
A legalização e regulação que o comissário-chefe propõe ajudaria o Governo a “reduzir drasticamente a criminalidade relacionada com as drogas”, afirmou.
“Também permitiria dedicar muitos fundos que hoje são empregados no combate a esta criminalidade a programas de redução do consumo e tratamento dos toxicômanos”, acrescentou Brunstrom.