Um ano após delegar o poder por causa de uma doença que o mantém afastado da vida pública, for sale o presidente cubano, troche Fidel Castro, pharm disse que o país está avançando.
A afirmação foi feita num novo artigo de Fidel, no qual ele não fala de seu estado de saúde, nem comenta qual será seu papel no futuro.
Na “reflexão” publicada hoje pelo jornal oficial “Granma”, Fidel Castro, que no dia 13 de agosto completará 81 anos, diz que se sente perseguido “por perguntas” sobre quando voltará ao poder e garante que vai lutar sem trégua para se recuperar.
Sob o título “A chama eterna”, o artigo rompe o silêncio de Fidel sobre assuntos políticos, embora não retire as dúvidas sobre seu retorno à Presidência ou a possível delegação definitiva de seus poderes ao irmão Raúl Castro, presidente provisório de Cuba desde 31 de julho de 2006. “O próprio Raúl se encarregou de responder que me consultava a cada decisão importante. O que farei? Lutar sem trégua, como fiz a vida toda”, afirma.
“Neste aniversário compartilho com o povo a satisfação de observar que a promessa se ajusta à imutável realidade: Raúl, o Partido, o Governo, a Assembléia Nacional, a Juventude Comunista e as organizações de massas e sociais, lideradas pelos trabalhadores, marcham adiante guiados pelo princípio inviolável da unidade”.
“A luta deve ser implacável contra nossas próprias deficiências e contra o inimigo arrogante que tenta se apoderar de Cuba”, defende Fidel, numa clara referência aos Estados Unidos, seu principal inimigo e alvo freqüente de suas críticas nas “reflexões” que publicou desde março.
Poucos dias após Raúl Castro, em seu discurso de 26 de julho – aniversário da revolução -, lançar uma proposta de diálogo ao presidente que sucederá George W. Bush na Casa Branca, o chefe da revolução insiste em que não há negociação possível com Washington.
“Que ninguém crie a menor esperança de que o império, que leva em si os genes de sua própria destruição, negociará com Cuba”, afirma. Fidel Castro faz referência a outro tema recorrente: a necessidade de reforçar a defesa do país.
Ele adverte que este assunto jamais “pode ser esquecido pelos dirigentes da Revolução: é dever sagrado reforçar sem descanso nossa capacidade e preparação defensiva, preservando o princípio de cobrar dos invasores em qualquer circunstância um preço impagável”.
O líder cubano, que não aparece em público desde 26 de julho de 2006, garante que o ano transcorrido desde que deixou o poder “vale por 10 com relação à possibilidade de viver uma experiência única”.
De acordo com analistas, o artigo de Fidel oferece poucas novidades em seu conteúdo e não fornece indicadores de que ele esteja em condições de retomar o poder.
“Parece a reflexão de um homem que não quer ficar esquecido, com um tom retórico e pouco conteúdo, salvo as referências aos Estados Unidos, que podem ser interpretadas como uma tentativa de reagir ao discurso de Raúl”, opinou um diplomata europeu.
No entanto, o funcionário reconhece que o artigo é “importante” porque “retorna à política após falar de temas como o submarino inglês ou os Jogos Pan-americanos”.
“Fidel quer mostrar que continua presente na vida do país, mas a vida dos cubanos continua normalmente, e não acho que este tipo de reflexões tenha grande influência”, afirmou outro diplomata residente em Havana.
Para o dissidente cubano Elizardo Sánchez, especialista em teoria marxista e líder da ilegal Comissão Cubana de Direitos Humanos, a reflexão confirma que “a recuperação do comandante-em-chefe continuará se prolongando indefinidamente”.
“Esta reflexão, depois de um ano, reanimará a tendência à imobilidade, à paralisia política, apesar do discurso de Raúl Castro do dia 26”, afirma Sánchez, que acredita que o líder cubano “joga um balde de água fria” no presidente provisório com seus comentários sobre os EUA.