A União Europeia urgiu hoje ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e ao governante de fato deste país, Roberto Micheletti, a “abster-se de toda ação que possa aumentar a tensão e a violência”.
Em comunicado, a presidência da UE sublinhou hoje “a importância de uma solução negociada à crise atual de Honduras”, por causa do retorno de Zelaya a Tegucigalpa.
“A Presidência expressa seu firme apoio aos esforços feitos pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e apóia as iniciativas tomadas pelo secretário-geral Insulza para facilitar o diálogo e a restauração da ordem constitucional em Honduras”, acrescenta o comunicado.
A declaração da presidência da UE segue o acordo alcançado pelos ministros europeus de Assuntos Exteriores no último dia 15, no qual decidiram preparar “medidas restritivas” dirigidas aos membros do Governo de fato de Honduras que obstaculizem uma saída negociada à crise política que atravessa o país.
Os vinte e sete países se mostraram dispostos a tomar medidas de pressão contra o Executivo hondurenho “até que não se alcance um acordo pacífico”.
Entre as ações contempladas se inclui a restrição de vistos ou contas correntes de membros do Governo de fato.
Após o golpe de Estado, o bloco europeu já decidiu limitar os contatos com o Executivo de fato e congelar as ajudas ao orçamento de Honduras, que chegam a 65,5 milhões de euros (US$95,5 milhões).
A UE afirmou também seu apoio ao Acordo de San José como via para solucionar a crise, assim como aos esforços de mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O acordo de San José, proposto pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias, prevê a formação de um Governo de unidade liderado por Zelaya, a antecipação de eleições, uma anistia para os delitos políticos, a renúncia a reformar a Constituição e a criação de uma Comissão da Verdade.