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UE se reunirá na quinta (22) para responder a tarifas de Trump por causa da Groenlândia; conheça as opções

Pacote de impostos sobre produtos de 93 bilhões de euros envolve aviões, carros, máquinas e uísque

Redação Jornal de Brasília

20/01/2026 6h30

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Foto: Christian Mang/AFP

Fernando Narazaki
Folhapress


A União Europeia marcou para quinta-feira (22) uma reunião de emergência entre os líderes do bloco para discutir a resposts que será dada aos EUA após a ameaça de tarifas sobre oito países europeus até que os norte-americanos consigam comprar a Groenlândia.

No momento, os europeus avaliam um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros (R$ 581 bilhões) de importações dos EUA, que poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses.

Outra opção estudada é acionar o “Instrumento Anti-Coerção” (ACI), nunca utilizado até o momento, que poderia limitar o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, ou restringir o comércio de serviços, no qual os EUA têm um superávit com o bloco, incluindo serviços digitais.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, se ofereceu para ser mediadora nas negociações. Meloni levou a extrema direita ao poder e tem o mesmo alinhamento político e ideológico de Trump. Ela afirmou que EUA e Europa têm as mesmas preocupações de segurança em relação a russos e chineses no Oceano Ártico.

Porém, Meloni criticou a atitude de Trump de ameçar tarifas de 10% sobre as importações de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido a partir de 1º de fevereiro.

“A perspectiva de tarifas mais altas para aqueles que contribuem para a segurança da Groenlândia é, na minha opinião, um erro e obviamente não compartilho dessa posição”, afirmou a primeira-ministra nesse domingo (18). “Conversei com Trump e disse a ele o que penso. Precisamos retomar o diálogo”, destacou.

Os ministros das finanças de França e Alemanha declararam nesta segunda-feira que as potências europeias não serão chantageadas e que haverá uma resposta clara e unida às ameaças de Trump. “Alemanha e França concordam: Não nos permitiremos ser chantageadas”, disse o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, após se reunir com seu colega francês. Para ele, o “limite foi atingido”.

“A chantagem entre aliados de 250 anos, a chantagem entre amigos, é obviamente inaceitável”, afirmou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, que comentou ser favorável ao acionamento do ACI caso seja necessário.

“A França quer que examinemos essa possibilidade, esperando, é claro, que a dissuasão prevaleça”, disse o ministro francês. Ele ressaltou que o país que não está interessado em uma escalada de tarifas, pois isso prejudicaria as economias de ambos os lados do Atlântico.

Lescure revelou que o país quer solicitar uma reunião entre ministros das finanças do G7 na quarta-feira (21), um dia antes da cúpula da UE. “O objetivo é revere a agenda do G7, mas também ter uma discussão franca com todos os membros do G7, incluindo os EUA, sobre essa situação lamentável”, comentou.

Mencionada por Trump como um país que ameaça a Groenlândia, a Rússia voltou a negar e afirmou que o presidente norte-americano entrará para a história dos Estados Unidos e do mundo se assumir o controle da Groenlândia.

Trump tem insistido repetidamente que não se contentará com nada menos do que a posse da Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Ele afirma que, se os Estados Unidos não assumirem o controle da Groenlândia, a Rússia ou a China o farão.

Quando solicitado a comentar as falas de Trump sobre a suposta ameaça russa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, Peskov disse que tem havido muitas “informações perturbadoras” ultimamente, mas que o Kremlin não comentaria sobre os supostos projetos russos na Groenlândia.

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