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Mundo

UE quer que G20 defina regras compulsórias para bonificações

Arquivo Geral

23/09/2009 0h00

Os países europeus que integram o Grupo dos Vinte (G20, as nações desenvolvidas e as principais economias emergentes) estão decididos a conseguir um compromisso global que imponha normas obrigatórias sobre os bônus pagos aos executivos de instituições financeiras.

A intenção dessas nações é sair da cúpula de Pittsburg (EUA), que começa amanhã, com um acordo que preveja sanções em nível nacional contra as entidades que não cumprirem as regras estabelecidas.

Representando os países da Europa no encontro do G20, que vai acabar na quinta-feira, estarão Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Holanda e União Europeia (UE).

Além de limites para as gratificações pagas pelos bancos, essas nações defenderão a continuidade das medidas de estímulo econômico, pelo menos até que a recuperação esteja consolidada. Outra reivindicação será a adoção de medidas concretas para o financiamento da luta contra a mudança climática.

Sobre os bônus pagos aos executivos do setor financeiro, os europeus têm consciência da resistência que sua proposta gera no outro lado do Atlântico. Porém, esses países estão convencidos de que só com uma regulação rígida será possível evitar que os bancos retomem as milionárias bonificações concedidas a seus diretores.

Nicolas Sarkozy, presidente da França e promotor da iniciativa, obteve o apoio dos outros chefes de Estado ou de Governo da UE, inclusive do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que disse compartilhar do “desconforto” da população em relação ao tema, sobretudo depois que várias entidades receberam ajuda pública para não falir.

O objetivo dos líderes europeus é estabelecer um vínculo claro entre as gratificações e os resultados a longo prazo das entidades.

Para isso, propõem, entre outras limitações, que os bônus representem uma percentagem da remuneração fixa ou dos lucros, o fim das opções sobre ações, a venda de títulos só depois de um determinado período após sua compra e a suspensão das gratificações quando o banco obtiver resultados negativos.

Segundo o primeiro-ministro sueco e presidente rotativo da UE, Fredridk Reinfeldt, “chegou a hora de dizer basta” à cultura dos bônus milionários.

Ainda no “âmbito financeiro”, a UE insistirá na importância de um sistema de acompanhamento global, no reforço das instituições multilaterais, na reforma destas entidades e no contínuo combate aos chamados “paraísos fiscais”.

O bloco também fará pressão para que as medidas de estímulo à economia continuem sendo aplicadas até que a recuperação esteja consolidada. Na opinião da UE, não é hora de suspender as ajudas, embora, para evitar que os déficits e a dívida pública disparem, seja preciso começar a traçar uma estratégia coordenada para colocar fim às injeções de capital.

A mudança climática é a terceira prioridade das delegações europeias, que desejam que Pittsburg dê um impulso claro aos trabalhos preparatórios para a cúpula de dezembro em Copenhague (Dinamarca).

Após os últimos compromissos assumidos pela UE e o Japão, o bloco espera que a Administração americana concretize o esforço que está disposta a fazer para reduzir as emissões de gases poluentes e financiar a luta contra a alteração do clima nas economias menos favorecidas.

A UE calcula que, entre 2010 e 2012, os países em desenvolvimento precisarão de 5 bilhões a 7 bilhões de euros ao ano para reduzir a liberação de gases estufa na atmosfera e se adaptar às mudanças no clima.

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