Em um comparecimento no Parlamento Europeu, De Kerchove considerou fundamental que a Europa trabalhe mais estreitamente com Washington em segurança aérea, a troca de dados dos passageiros e o acompanhamento dos possíveis terroristas.
Para o responsável comunitário da luta antiterrorista, o incidente em Detroit foi “interessante em muitos sentidos”, ao deixar clara a relação entre as diversas “franquias” da Al Qaeda, sua intenção de operar fora de suas respectivas zonas geográficas e o uso de pessoas “não fichadas” para seus ataques.
De Kerchove alertou também para a crescente “radicalização” mostrada por várias informações, e lembrou que o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, detido pela tentativa de atentado no voo a Detroit, “era uma pessoa rica, com boa formação e um grau universitário nos Estados Unidos”.
“É preciso analisar por que se radicalizou”, disse De Kerchove, que lembrou que esse fenômeno se repete em países como a Somália, onde pessoas com passaporte americano se unem à luta de terroristas de seu país de origem.
Neste sentido, De Kerchove disse que a UE “tem que se envolver mais com os Estados fracassados”, caso do Iêmen, ou de vários na região do Sahel, para evitar que se transformem “em refúgios de terroristas”.
Sobre o problema da segurança aérea, o coordenador antiterrorista insistiu em que é um assunto que vai além das medidas técnicas nos aeroportos e que devem ser reforçadas áreas como a recopilação de dados dos passageiros, a informação sobre passaportes roubados ou perdidos, sobre vistos e sobre os detalhes de entrada e de saída nos países.
“Sou muito a favor, apesar de que possa parecer polêmico, de conseguir um acordo a médio prazo com os EUA para poder cruzar nossas listas e trocar dados”, disse De Kerchove, que, de qualquer forma, considerou imprescindível para isso ter um acordo vinculativo que garanta a proteção de dados.