A União Europeia (UE) decidiu nesta segunda-feira (14) aumentar a pressão sobre a Síria e ampliou as sanções contra o país para 18 novos indivíduos vinculados ao regime de Damasco, mas descartou uma intervenção militar e qualquer paralelismo com os eventos registrados na Líbia nos últimos meses.
Os ministros das Relações Exteriores da UE, reunidos em Bruxelas, ampliaram a “lista negra”, que a partir desta terça-feira – quando entram em vigor as novas sanções – incluirá ao todo 74 pessoas e 19 entidades.
Além disso, os 27 países-membros da UE aprovaram a supressão de todos os créditos do Banco Europeu de Investimentos (BEI) a projetos vinculados ao regime sírio, a fim de seguir cortando vias de financiamento ao governo de Bashar al Assad.
Essa medida se soma a outras já em vigor, como um embargo às importações de petróleo e uma proibição de investir no setor petroleiro sírio.
A esperança da UE é que as sanções internacionais acabem asfixiando o regime e o force a deter a violência contra os manifestantes de oposição, que protestam há oito meses contra o governo Assad.
Por enquanto, o bloco europeu descarta qualquer tipo de intervenção militar e rejeita qualquer comparação com o ocorrido na Líbia, onde os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foram decisivos para a queda do regime de Muammar Kadafi.
“Não acho que devamos olhar isto à luz da Líbia, é um país muito diferente”, advertiu em entrevista coletiva a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Catherine Ashton.
França e Reino Unido, que lideraram a ofensiva internacional no conflito líbio, também deixaram claro que não têm intenção alguma de repetir a experiência na Síria.
O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, ressaltou que uma operação militar desse tipo não está na ordem do dia. “E não desejamos que esteja”.
O chanceler britânico, William Hague, disse que a UE não pode fazer nada para proteger diretamente os civis sírios e considerou que a ausência de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas faz com que a situação na Síria seja “muito mais complexa” do que era na Líbia.
Neste sentido, os 27 países-membros insistiram nesta segunda-feira que continuarão pressionando por uma “ação contundente” da ONU, onde Rússia e China bloquearam todas as tentativas de se aprovar uma resolução contra Damasco.
A UE respaldou ainda os esforços da Liga Árabe, que decidiu suspender a participação da Síria na organização, inclusive a ideia de enviar observadores externos ao país para buscar conter a violência. Ashton explicou que sua equipe estudará fórmulas para apoiar os civis.
Junto à Síria, o Irã ocupou nesta segunda-feira uma parte significativa das discussões dos ministros da UE, que pediram a cooperação de Teerã para responder às preocupações motivadas pelo último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que acusa o regime iraniano de ter trabalhado na tecnologia necessária para a fabricação de armas nucleares.
Os chanceleres decidiram preparar possíveis sanções adicionais contra a República Islâmica, sobre as quais pretendem decidir em seu próximo encontro, no mês que vem, quando levarão em conta as próximas ações de Teerã.
O Reino Unido indicou que não prepara nenhuma ação militar, mas lembrou que todas as opções devem ser mantidas sobre a mesa.
Diante dessa postura, a França alertou que um ataque sobre o Irã poderia causar uma situação pior que o problema nuclear em si, uma linha parecida à expressada pelo chanceler alemão, Guido Westerwelle, que se mostrou totalmente contrário a uma hipótese bélica, ao afirmar que o mero debate sobre a opção militar já é contraproducente.