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UE anuncia ajuda de 7,2 bi de euros a países pobres contra mudança climática

Arquivo Geral

11/12/2009 0h00

A União Europeia (UE) ultrapassou hoje as expectativas ao comprometer um total de 7,2 bilhões de euros (2,4 bilhões ao ano) durante o período entre 2010 e 2012 para ajudar os países em desenvolvimento a combater a mudança climática.


Os líderes europeus colocaram este número sobre a mesa para tentar desbloquear as negociações realizadas em Copenhague e reavivar o espírito da cúpula que muitos já consideram fracassada, mas ainda não anunciou quanto fornecerá a partir de 2020, uma das questões mais polêmicas.


O Conselho Europeu assegurou estar disposto a aumentar o corte de suas emissões até 2020 de 20% para 30%, mas, para isso, segue esperando que outros países façam esforços equivalentes.


O anúncio de hoje sobre a ajuda aos países em desenvolvimento “será bom para conseguir um compromisso em Copenhague”, disse, em entrevista coletiva ao término da cúpula, o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, cujo país exerce a Presidência de turno do bloco.


No entanto, não está claro que uma concessão para somente três anos terá tanto impacto, entre outros motivos, porque já há vozes que acusam a UE de estar oferecendo um valor que não é novo e que poderia proceder de fundos já comprometidos para ajuda ao desenvolvimento.


Os 27 países-membros do bloco não especificaram a procedência dos fundos, mas o presidente francês, Nicolas Sarkozy, assegurou que “o objetivo” é que todo esse dinheiro venha de financiamento novo.


A Presidência sueca de turno da UE confirmou que todos os países do bloco e a Comissão Europeia contribuirão com o financiamento anunciado hoje, apesar de não serem obrigados a fazer isso.


No entanto, a contribuição da Letônia – um dos países da UE mais gravemente afetados pela crise – será puramente simbólica (de 10 mil euros anuais), enquanto a Romênia se limitou a anunciar que cooperará sem anunciar uma quantidade concreta.


A Espanha fornecerá 375 milhões de euros para todo o período (125 milhões anuais), 75 milhões a mais do que tinha prometido a princípio, segundo anunciou, no final da reunião, o presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero.


França e Alemanha, por sua parte, comprometeram 420 milhões de euros cada uma ao ano (1,26 bilhões para os três) e o Reino Unido anunciou que fornecerá 1,5 bilhão de euros para todo o período.


“Nosso número é o mais alto até agora”, ressaltou Brown, que disse confiar em que outros países reforcem suas ofertas.


A Suécia disponibilizará 765 milhões de euros para os três anos e a Áustria 120 milhões (40 milhões anuais).


A Itália, por sua parte, concederá 300 milhões de euros anuais, uma soma que, segundo o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, pode ser considerada “verdadeiramente generosa”.


O fato de que todos os países do bloco, inclusive os mais francos economicamente, tenham apresentado um valor a ser agregado à soma total é carregado de simbolismo e deixa claro o objetivo estratégico da UE, empenhada em recuperar credibilidade e liderança na luta internacional contra o aquecimento global.


O bloco calcula que a contribuição do conjunto de países industrializados deve situar-se entre 5 bilhões e 7 bilhões de euros ao ano entre 2010 e 212, mas, até agora, tinha se limitado a dizer que os europeus contribuiriam para esse total “de maneira justa”.


A Comissão Europeia tinha calculado em setembro que os 27 Estados-membros deveriam fornecer entre 500 milhões e 2,1 bilhões anuais, mas confiava em superar esta meta.


“É mais do que esperávamos”, reconheceu o presidente do órgão Executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, que destacou que este financiamento é “muito importante para os países pobres”, já que “seu futuro depende de ações imediatas”.


Em matéria de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2), a UE deixou passar outra cúpula sem fazer declarações sobre o assunto à espera de outros países, como os Estados Unidos.


O bloco reiterou mais uma vez seu compromisso de cortar as emissões até 2020 em um mínimo de 20% em comparação com os níveis de 1990 e de chegar a 30% se outros países industrializados se comprometem com metas equivalentes e se as nações em desenvolvimento se mostrarem dispostas a limitar seus níveis de CO2.


Reinfeldt lembrou que a oferta da UE está condicionada às ofertas de outros atores e que se não houver avanços neste sentido, será porque países como os EUA seguem oferecendo cortes de 4% (17% em relação a 2005) que não podem ser comparados com a meta europeia de 20%.

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