Com o programa do governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), Erdogan pedirá na próxima quarta-feira o voto de confiança do Parlamento, onde o partido tem 340 cadeiras. O mínimo necessário para garantir a aprovação é de 267 deputados.
Com relação aos planos de democratização do país, o primeiro-ministro disse que seu gabinete está trabalhando para organizar uma nova Constituição, que será curta e ampla, mas também estará preparada para o mais amplo consenso.
Ele acrescentou que seu Governo não considera as relações da Turquia com a União Européia (UE) uma questão bilateral, mas “parte de sua visão regional e global de paz”. De acordo com o premier, os 200 acordos legais incluídos nas reformas previstas servirão para transformar a economia do país.
Ao falar da política externa do novo Governo aprovado pelo novo presidente, Abdullah Gül, esta semana, Erdogan citou a situação no Iraque e avisou que tomará “as medidas da maneira mais eficaz contra o terror provocado pela instabilidade no Iraque”.
Militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), clandestino, agem na região fronteiriça iraquiana com a Turquia e há meses lançam incursões contra os soldados turcos no sudeste do país.
Na legislatura anterior, Erdogan foi forçado pela oposição e pelo Exército a resistir às atividades terroristas com contra-ataques militares contra os rebeldes curdos. “Não toleraremos a utilização de nenhum país vizinho como base para atividades terroristas contra nós”, enfatizou o primeiro-ministro. Ele ressaltou também que seu objetivo é eliminar qualquer problema com os países vizinhos.
Ao mesmo tempo, Erdogan prometeu que o Governo continuará dando todo apoio à República Turca do Norte de Chipre, um território que só a Turquia reconhece desde a invasão militar turca em 1974, que dividiu a ilha mediterrânea em duas – o sul ficou com os gregos.
O governante destacou a importância que a Turquia atribui à Otan, à meta de ingressar na União Européia e às relações com os Estados Unidos, apesar dos recentes atritos de Ancara com Washington por causa dos ataques curdos.
Segundo Erdogan, outros objetivos prioritários para o novo Governo turco em política externa são ajudar a solucionar o problema palestino e desenvolver relações com as repúblicas da Ásia Central de patrimônio cultural túrquico.
No setor econômico, citou o aumento da renda per capita para US$ 10 mil para os 72 milhões de turcos até 2013, e a elevação das receitas do turismo para US$ 40 bilhões por ano, apesar de uma redução do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) de 18% para 9%, tal como está previsto.
O programa econômico do Governo será baseado na austeridade fiscal, além da redução dos impostos com a intenção de criar novos postos de trabalho, e será tão bem-sucedido quanto no gabinete exterior, disse o primeiro-ministro.
“Pretendemos que nossas exportações superem os US$ 200 bilhões até 2013 e que o programa de privatização seja mantido com a mesma decisão que houve em outros países”, afirmou.
Erdogan citou “a segurança de abastecimento” como o elemento básico da política governamental em matéria energética e ressaltou que seu gabinete se esforçará para materializar o gasoduto “Nabucco”, para transportar gás natural do Mar Cáspio até a UE, passando pela Turquia, Bulgária, Romênia, Hungria e Áustria.
O primeiro-ministro anunciou que o Executivo criará o marco legal necessário para o uso de energia nuclear e que melhorará o investimento privado no setor.