Em entrevista coletiva concedida ao lado do primeiro-ministro iraquiano, capsule Nouri al-Maliki, o premier interino turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que os países chegaram a um acordo que prevê a realização de “todo esforço possível para dar fim à presença do PKK no norte do Iraque”.
O acordo consiste em um texto de compromissos mínimos que deverá ser concretizado pelos especialistas na luta antiterrorista de ambos os países. O governante iraquiano disse que seu Governo “está de acordo com a Turquia em tudo que se refere à luta contra o terrorismo”, e afirmou que o “Iraque não permite (ao PKK) estar presente em seu território, e não o permitirá no futuro”.
“Concordamos que devemos juntar nossos esforços contra todas as formas de terrorismo, inclusive a do PKK”, afirmou Maliki.
Durante as negociações, houve desentendimentos entre Ancara e Bagdá, devido à recusa do primeiro-ministro iraquiano a aprovar alguns pontos do texto. Por isso, a reunião durou uma hora a mais que o esperado, segundo informou a rede de televisão “NTV”.
A Turquia não obteve hoje respostas concretas a seus pedidos de extradição de líderes do PKK ou sobre uma atuação militar conjunta que lhe permita acabar com as bases do grupo no Iraque.
No entanto, o país conseguiu fazer com o Iraque qualificasse hoje, oficialmente, o PKK de “organização terrorista”, como já é considerado por Turquia, União Européia (UE) e Estados Unidos. “Como já havíamos dito anteriormente, vemos o PKK como uma organização terrorista”, disse Maliki.
Erdogan acrescentou que seu Governo reiterou a “importância da manutenção da integridade territorial do Iraque”. A Turquia teme que a região autônoma do Curdistão Iraquiano, a mais próspera do país, declare-se independente e abra um precedente para os mais de 12 milhões de curdos em território turco.
Maliki também foi recebido hoje pelo presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, que se negou, em diversas ocasiões, a conversar com seu homólogo iraquiano, o curdo Jalal Talabani. A delegação iraquiana se recusa a permitir que o Exército turco, que nos últimos meses enviou dezenas de milhares de soldados à fronteira com o Iraque para frear infiltrações do PKK, realize uma operação militar além dos limites entre os dois países.
Outro tema delicado abordado hoje em Ancara foi o plebiscito sobre a anexação da cidade petrolífera de Kirkuk à região do Curdistão Iraquiano, que o Governo autônomo curdo deve convocar até o final deste ano.
Ancara quer que a consulta popular seja adiada, já que “poderia contribuir para aumentar o caos no Iraque”, como disse Erdogan hoje. A Turquia se opõe, ainda, à inclusão de Kirkuk, com uma minoria de origem turcomana, à região curda.
Durante sua visita de um dia a Ancara, a delegação iraquiana, composta por 30 representantes e alguns ministros, manteve contatos com seus colegas turcos para reforçar as relações energéticas e comerciais entre os dois países.
“A Turquia apoiará o Iraque por todos os meios possíveis, para conseguir estabilidade, paz e bem-estar no país”, afirmou Erdogan. Ele disse, ainda, que seu Governo ajudará o país vizinho a se integrar ao sistema comercial internacional.
Também foi acertada a abertura de consulados turcos nas cidades iraquianas de Mossul, no norte, e Basra, no sul, e Maliki assegurou que pretende fazer o mesmo na cidade turca de Gaziantep, no sudeste do país.