O ministro de Assuntos Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou hoje que a agressão israelense contra a Faixa de Gaza o ano passado “matou” a perspectiva de paz na região.
Em resposta a uma pergunta sobre a crescente tensão entre Ancara e Tel Aviv, Davutoglu disse que a Turquia não persegue uma política contra Israel, mas dá prioridade à paz na região.
“Durante os últimos anos, eu estive pessoalmente implicado na diplomacia secreta entre Síria e Israel e conseguimos sentar a ambos na mesa”, explicou.
“Mas, ano passado, Gaza foi cercada com todos os meios disponíveis e aconteceu o maior ataque que essa região já sofreu. 1.500 pessoas morreram, a maioria mulheres e crianças, e outras 5 mil foram feridas. Todos nossos esforços de paz foram esmagados com um só golpe”, criticou o chefe da diplomacia turca.
O ministro acrescentou que Ancara atuaria da mesma forma se acontecesse um ataque similar a uma cidade israelense.
“Não temos nada contra Israel. Não queremos guerra na região, mas não podemos fechar os olhos ao que aconteceu (em Gaza). Turquia é um país forte, temos que proteger a mulheres e crianças”, acrescentou.
Davutoglu ressaltou que a Turquia voltará a sua linha anterior de colaboração com Israel, quando o Governo de Tel Aviv retorne a sua linha de paz.
“(A guerra em) Gaza matou a perspectiva de paz. Durante os oito meses anteriores à guerra nem um só foguete foi disparado de Gaza a Israel… agora as crianças palestinas não podem ir à escola, o povo nem sequer tem um teto para proteger-se. Cada dia, quando levo meu filho à escola, sofro por isto”, assegurou.
Israel lançou no final de dezembro de 2008 a operação militar “Chumbo Fundido” na Faixa de Gaza, segundo Tel Aviv, em resposta ao lançamento nos dias anteriores de cerca de 200 foguetes Qassam por milícias palestinas, essencialmente do movimento islamita Hamas, informação contestada pelos palestinos e outros países da região.
Em referência aos exercícios militares conjuntos suspensos por Ancara, Davutoglu disse que a Turquia não poderia participar de uma ação militar com Israel enquanto o país não desenvolva uma política de paz.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse na quinta-feira que seu Governo cancelou as manobras com Israel porque essa era a “vontade do povo” turco.
A tensão entre ambas capitais se acelerou por causa de uma série de televisão da rede pública turca TRT 1, que mostra em Gaza, soldados israelenses matando crianças palestinas.
Oficiais israelenses reagiram a essa série dizendo que “nem um país inimigo mostraria um filme tão cheio de ódio”.