O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou nesta quinta-feira (22) o convite feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para integrar o recém-criado Conselho da Paz. A decisão foi comunicada pelo próprio Trump em publicação na rede Truth Social.
“Por favor, que esta carta sirva para comunicar que o Conselho da Paz retira o convite dirigido a você a respeito da adesão do Canadá”, escreveu o presidente americano. A revogação ocorre dias após Carney afirmar que há uma “ruptura” no sistema global de governança liderado pelos Estados Unidos e depois de o governo canadense sinalizar que não pagaria para participar da entidade.
Trump assinou nesta quinta-feira o ato de criação do Conselho da Paz, iniciativa que, segundo o governo americano, deve atuar na resolução de conflitos internacionais — embora críticos apontem a intenção de suplantar a Organização das Nações Unidas. O presidente também indicou que pretende cobrar US$ 1 bilhão de cada país interessado em ocupar um assento no grupo.
Inicialmente concebido para supervisionar a administração da Faixa de Gaza no contexto do cessar-fogo, o conselho passou a assumir escopo mais amplo, o que gerou preocupação em países como França, Canadá, Reino Unido e Brasil. A ampliação do papel do órgão tem sido vista como tentativa de redefinir a arquitetura da governança internacional.
A cerimônia de assinatura ocorreu à margem do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, e contou com a presença de líderes que já aceitaram participar do conselho, como Javier Milei, Prabowo Subianto e Viktor Orbán.
Entre os 24 países que aderiram até o momento, 17 são classificados como regimes autocráticos ou ditatoriais, de acordo com o Instituto V-Dem, que monitora indicadores democráticos. A composição do grupo e a cobrança para adesão ampliaram o ceticismo internacional em relação à iniciativa liderada por Trump.