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Mundo

Trump recebe Xi em Washington com pompa, mas poucos avanços à vista

Além da presença de Trump no aeroporto, Xi vai ser recebido com tapete vermelho e participa de uma série de eventos

Redação Jornal de Brasília

23/09/2026 19h02

trump e xi

Foto: Divulgação/Daniel Torok/ Casa Branca

ISABELLA MENON
FOLHAPRESS

O presidente Donald Trump recebe nesta quarta-feira (23) o dirigente chinês, Xi Jinping, em Washington para uma visita de Estado cercada de simbolismo e expectativa, mas com perspectivas limitadas de grandes acordos entre as duas maiores potências do mundo.

Xi desembarcou na base militar Andrews, em Maryland, em sua primeira visita de Estado a Washington em mais de uma década. Trump foi pessoalmente à base militar para recebê-lo. Quando o republicano chegou a Pequim, em maio, Xi não foi ao aeroporto encontrá-lo.

O gesto é incomum para um presidente americano, que normalmente recebe líderes estrangeiros na Casa Branca, não no aeroporto. Trump fez algo semelhante em agosto de 2025, quando recebeu Vladimir Putin na pista da base Elmendorf-Richardson, no Alasca.

Agora, em Washington, o republicano não deve poupar esforços. Além da presença de Trump no aeroporto, Xi vai ser recebido com tapete vermelho e participa de uma série de eventos. A recepção oficial na Casa Branca, na quinta-feira (24), incluirá apresentações militares e um sobrevoo de um bombardeiro B-2 Spirit e quatro caças F-22 Raptor. À noite, Trump e a primeira-dama, Melania, oferecerão um jantar de Estado a Xi e à primeira-dama chinesa, Peng Liyuan.

Apesar das festividades marcadas para os próximos dias, Trump tem travado uma série de conflitos com o líder chinês desde o tarifaço no ano passado a insinuações, sem provas, de que a China teria interferido nas eleições de 2020, quando o republicano perdeu para Joe Biden (embora até hoje não reconheça a derrota).
Esta será a terceira reunião presencial entre Trump e Xi em 11 meses. Os dois se encontraram em Busan, na Coreia do Sul, em outubro de 2025, e novamente em Pequim, em maio deste ano. Outros dois encontros entre os líderes estão programados para este ano: em novembro, durante a reunião de líderes da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em Shenzhen, e em dezembro, no G20, em Miami.

Apesar da frequência dos encontros e da pompa envolvida na passagem de Xi por Washington, analistas políticos veem poucas perspectivas de avanços significativos nas principais disputas entre os dois países.

Rush Doshi, especialista em China do CFR (Conselho de Relações Exteriores), afirmou em análise que os resultados mais prováveis são uma extensão temporária da atual trégua comercial, algumas compras chinesas de produtos agrícolas e de energia americanos e avanços em um diálogo sobre inteligência artificial.

Uma das questões mais imediatas é justamente a trégua tarifária acertada pelos dois países, que expira em 10 de novembro. Segundo Doshi, Pequim busca uma extensão até o fim do mandato de Trump, enquanto o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que uma prorrogação de três a seis meses seria aceitável.

As terras raras estão no centro dessa negociação. Segundo Doshi, citando autoridades americanas ouvidas pelo jornal Financial Times, o governo Trump considera que a China cumpriu apenas parte dos compromissos assumidos nessa área. Autoridades americanas também tentam determinar se as restrições restantes decorrem de problemas de implementação ou de uma decisão deliberada de Pequim.

Na avaliação do analista, a capacidade da China de responder às tarifas americanas com restrições às exportações de terras raras aumentou seu poder de barganha e contribuiu para levar o governo Trump a reduzir a pressão tarifária.

Compras chinesas de produtos americanos também estarão em discussão. Uma análise do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais) afirma que Washington gostaria de acelerar especialmente as compras chinesas de soja e carne bovina nas semanas anteriores às eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Para Xi, a visita também tem forte peso simbólico. Segundo o CSIS, Pequim busca reforçar a imagem da China como uma potência em condição de igualdade com os EUA e destacar a importância da relação pessoal entre os dois líderes para a estabilidade bilateral.

Doshi argumenta que autoridades chinesas veem a atual fase das relações como favorável a Pequim e acreditam que a China continua ganhando força relativa na competição com Washington.

O CSIS afirma ainda que Pequim avalia Trump como mais pressionado politicamente do que estava durante sua visita à China, em maio. Segundo a análise, autoridades chinesas acompanham sua queda de popularidade antes das eleições de meio de mandato e consideram que o conflito com o Irã e as tensões dos Estados Unidos com aliados enfraqueceram a posição americana.

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