O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (2) que, se o Irã matar manifestantes, Washington “virá em seu resgate”, depois que o movimento de protesto iniciado no domingo passado na República Islâmica provocou as primeiras vítimas fatais.
“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos virão em seu resgate”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Um conselheiro do líder supremo iraniano reagiu pouco depois. “Trump deveria saber que qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos”, advertiu Ali Larijani na rede social X.
“Que tenha cuidado com seus soldados”, acrescentou Larijani, que dirige a principal autoridade da área de segurança no Irã.
O Irã é cenário, desde domingo, de grandes mobilizações contra o aumento do custo de vida. Os protestos deixaram seis mortos até o momento, segundo a imprensa do país.
A moeda nacional, o rial, registrou uma desvalorização de mais de um terço no último ano em relação ao dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos enfraquece o poder de compra dos iranianos há vários anos.
Até o momento, as manifestações são menores que os protestos que abalaram o país no final de 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, uma jovem iraniana.
“Estamos preparados e carregados para agir”, ressaltou Trump em sua plataforma sobre os protestos atuais.
Os Estados Unidos estão há décadas em confronto com a República Islâmica. O presidente americano prometeu na segunda-feira “erradicar” qualquer tentativa de Teerã de reconstruir seu programa nuclear ou seu arsenal de mísseis balísticos.
Em abril, Irã e Estados Unidos iniciaram negociações com a mediação de Omã sobre o programa nuclear iraniano, motivo de tensões com os países ocidentais.
As conversações, no entanto, estão paralisadas desde junho, quando os Estados Unidos bombardearam as instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio de Fordo, ao sul de Teerã, assim como as instalações nucleares de Isfahan e Natanz, no centro do país.
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