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Trump pede corte significativo dos juros com inflação estável nos EUA

Com índice em 2,7% em dezembro, presidente intensifica críticas ao Fed, enquanto bancos centrais defendem independência da instituição

Redação Jornal de Brasília

13/01/2026 14h26

Foto: Brendan Smialowski/AFP

Foto: Brendan Smialowski/AFP

A inflação nos Estados Unidos se manteve estável em dezembro, segundo dados publicados nesta terça-feira (13), que levaram o presidente Donald Trump a reforçar seu pedido de cortes significativos dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).

Em meio a uma queda de braço com o presidente do Fed, Jerome Powell, a quem Trump acusa de ter se “atrasado demais” na redução dos juros, o dado da inflação em dezembro encorajou ainda mais o presidente.

Conforme esperavam os analistas, a inflação em 12 meses se manteve estável em dezembro em 2,7%, mesmo percentual de novembro, após um ano em que as tarifas aduaneiras de Trump ameaçaram a estabilidade dos preços.

Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 0,3% na medição mês a mês.

Embora os preços não tenham disparado nos últimos meses de 2025, a inflação foi aumentando ao longo do ano à medida que Trump impunha as tarifas.

No entanto, nos últimos meses, o governo ampliou uma lista de isenções que abrangem produtos essenciais, entre eles agrícolas, devido à crescente preocupação das famílias com o custo de vida.

Assim, os 2,7% em dezembro de 2025 se equiparam ao dado de 2,9% em dezembro de 2024.

Mas os preços dos alimentos subiram acima da média: 3,1% em 12 meses.

O governo destacou uma queda nos preços da gasolina de 3,4%.

– “Atrasado demais” –

Em reação aos dados oficiais, o presidente Trump destacou os “baixos” níveis da inflação nos Estados Unidos, e voltou a criticar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, com quem mantém uma queda de braço desde que voltou ao poder, em 20 de janeiro passado.

“Excelentes (BAIXOS!) números de inflação para os EUA. Isso significa que Jerome ‘Atrasado Demais’ Powell deveria baixar as taxas de juros, SIGNIFICATIVAMENTE!”, escreveu o presidente americano em uma postagem em sua plataforma, Truth Social.

No último domingo, Powell informou que o banco central recebeu uma intimação do Departamento de Justiça e enquadrou esta decisão na campanha de pressão do presidente.

As intimações estão relacionadas com seu testemunho em junho passado para o Senado, ao qual depôs sobre um grande projeto de reforma dos escritórios do organismo.

Mas ele relativizou a possível ameaça de uma acusação criminal por seu testemunho ou pelo projeto em si.

“A ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve fixar as taxas de juros baseando-se na nossa melhor avaliação do que servirá ao público, ao invés de seguir as preferências do presidente” Trump, disse Powell em nota.

O Fed trabalha com uma meta de inflação de 2% ao ano, que está longe da cifra atual.

– Apoios –

O titular do Fed obteve apoio dentro e fora dos Estados Unidos, onde banqueiros centrais temem que se restrinja a independência da instituição que rege a política monetária da maior potência mundial.

Os chefes dos principais bancos centrais do mundo, entre eles o do Banco Central Europeu (BCE), expressaram, nesta terça-feira, sua “total solidariedade” com o Federal Reserve e seu presidente.

“Nós no solidarizamos plenamente com o sistema do Federal Reserve e com seu presidente, Jerome H. Powell”, diz uma declaração assinada pelos chefes do Banco Central Europeu, pelo Banco da Inglaterra e dos bancos centrais de Austrália, Brasil e Canadá, entre outros.

Na segunda-feira, os ex-presidentes do Federal Reserve também criticaram, em uma declaração conjunta, a investigação penal contra o presidente do banco central americano, que consideraram uma tentativa de “minar” a independência da instituição.

Entre os signatários estão os ex-titulares do Fed Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen.

Trump tem feito críticas regulares a Powell, a quem chamou de “cabeça oca” e “imbecil”.

AFP

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