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Mundo

Trump envia segundo porta-aviões ao Oriente Médio em meio a pressões sobre Irã

João Victor Rodrigues

13/02/2026 18h03

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Foto: JIM WATSON / AFP

Um segundo porta-aviões americano partirá “muito em breve” para o Oriente Médio, declarou nesta sexta-feira (13) o presidente Donald Trump, depois de ter ameaçado o Irã com consequências “traumatizantes” caso fracassem as negociações entre os dois países para uma solução diplomática de suas tensões.

Ao mesmo tempo, Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, convocou o povo iraniano a novas ações de protesto, em paralelo com manifestações previstas para sábado no exterior. Uma onda de protestos em janeiro no Irã foi duramente reprimida pelas autoridades.

Trump havia intensificado a ameaça militar contra a república islâmica após a resposta das forças de segurança em Teerã às manifestações no mês passado, que, segundo grupos de direitos humanos, deixou milhares de mortos.

Em seguida, continuou pressionando Teerã para alcançar um acordo, em especial sobre o programa nuclear iraniano. Os dois países retomaram seus diálogos em 6 de fevereiro, em Omã, mas a continuidade dessas conversas segue incerta.

“É preciso chegar a um acordo, caso contrário será muito traumatizante” para o Irã, advertiu Trump na quinta-feira.

Nesta sexta-feira, ao ser questionado sobre reportagens a respeito do envio do porta-aviões USS Gerald Ford do Caribe para o Oriente Médio, Trump respondeu: “Partirá muito em breve”.

“Caso não consigamos um acordo, vamos precisar dele”, garantiu.

O USS Gerald Ford é o mesmo porta-aviões que os Estados Unidos mobilizaram no Caribe para a operação que terminou com a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, na Venezuela.

“Terrivelmente difícil”

Na ausência de um acordo com Teerã, Trump disse na quinta-feira que passaria à “fase dois”, que seria “muito dura” para os iranianos. Ele também lembrou do bombardeio, por parte dos Estados Unidos, contra instalações nucleares iranianas durante uma guerra de 12 dias desencadeada por Israel em junho passado.

O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln permanece na região do Golfo desde janeiro.

A natureza dos alvos que Washington poderia atacar em caso de uma intervenção não está clara, assim como tampouco as intenções dos Estados Unidos em relação aos líderes iranianos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na quinta-feira que expressou a Trump seu “ceticismo quanto à qualidade de qualquer acordo com o Irã”.

Netanyahu, que se reuniu na quarta-feira em Washington com Trump, acrescentou que qualquer pacto também deveria considerar os mísseis balísticos iranianos e seu apoio a grupos armados na região, como o movimento islamista palestino Hamas, os rebeldes huthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta sexta-feira que um acordo entre a AIEA e Teerã sobre as inspeções de seu programa nuclear é “possível”, mas “terrivelmente difícil”.

Grossi declarou na Conferência de Segurança de Munique que o Irã havia se recusado, em novembro, a permitir que a AIEA inspecionasse seus diferentes locais bombardeados em junho.

Libertações de reformistas

O filho do último xá, que vive nos Estados Unidos e não voltou a pisar em seu país natal desde a Revolução Islâmica de 1979, convocou manifestações no sábado em Munique, Toronto e Los Angeles para exigir uma ação internacional contra Teerã e instou o povo iraniano a se somar à causa, levantando a voz de suas casas.

“Gritem suas exigências. Demonstrem sua unidade. Com uma vontade inabalável, prevaleceremos sobre este regime ocupante”, escreveu na rede X.

Na terça-feira, em Teerã, às vésperas do 47º aniversário da revolução que culminou com a queda do xá, moradores no Irã gritaram de suas janelas palavras de ordem contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP.

Segundo a ONG HRANA, com sede nos Estados Unidos, ao menos 7.005 pessoas, a maioria manifestantes, foram mortas durante os protestos do início de janeiro no Irã.

Mais de 53 mil pessoas foram detidas desde então, entre elas integrantes da corrente reformista, incluindo a chefe da principal coalizão de reformistas, Azar Mansouri, que foi libertada sob fiança nesta sexta-feira, segundo seu advogado.

Outros dois líderes reformistas, Javad Emam e Ebrahim Asgharzadeh, foram libertados na noite de quinta-feira, segundo a imprensa iraniana.

De acordo com as autoridades iranianas, as manifestações deixaram mais de 3 mil mortos, em sua grande maioria integrantes das forças de segurança ou transeuntes mortos por “terroristas” a serviço de Israel e dos Estados Unidos.

AFP

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