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Trump diz que não quer mortes pelas batidas migratórias, mas pede que cesse a ‘resistência’

Redação Jornal de Brasília

27/01/2026 6h49

us politics trump

Foto por MANDEL NGAN / AFP

O presidente Donald Trump reduziu o tom nesta segunda-feira (26) ante a tensa situação no estado de Minnesota e assegurou que não quer gente “ferida ou morta” durante os protestos pelas batidas contra imigrantes irregulares, mas pediu que cesse a “resistência e o caos”.

Após a morte de dois cidadãos americanos nas ruas de Minneapolis em menos de três semanas, Trump anunciou em sua plataforma Truth Social que tinha falado por telefone com o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e prometeu diálogo.

“Foi um telefonema muito positivo e, na realidade, parece que estamos na mesma longitude de onda”, disse Trump, em referência ao governador

Trump também anunciou o envio de seu “czar” contra a imigração irregular, Tom Homan, a esse estado do norte do país, com a incumbência de que lhe informe pessoalmente sobre a situação.

Homan, um veterano do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), se reunirá com o prefeito de Minneapolis nesta terça-feira, segundo Trump.

O presidente não quer ver gente “ferida ou morta nas ruas dos Estados Unidos” assegurou depois, em coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Ao mesmo tempo, Trump quer que cesse “a resistência e o caos” nessa cidade do norte do país.

Frey anunciou nesta segunda que “alguns agentes federais” deixarão Minneapolis nesta terça-feira.

“Vou seguir pressionando para que os outros envolvidos nesta operação saiam”, escreveu.

O prefeito informou mais cedo que falou com Trump e que “o presidente concordou que a situação atual não pode continuar”.

Segundo meios de comunicação americanos, o chefe da polícia de fronteira, Gregory Bovino, deixará Minneapolis, mas o governo desmentiu as versões da imprensa.

Bovino “não foi dispensado de suas funções”, afirmou no X a porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin.

Porte de armas


Ativistas voltaram a se reunir nesta segunda nas ruas da cidade, sob temperaturas congelantes, para prestar homenagem a Alex Pretti.

Agentes federais balearam este enfermeiro de 37 anos, a quem acusam de portar uma arma carregada e escondida durante os protestos, com a qual supostamente pretendia atacá-los.

Segundo o DHS, os agentes tentaram desarmá-lo, mas ele “resistiu violentamente”.

Uma análise dos vídeos feita pela AFP e por meios de comunicação americanos contradiz a versão oficial que o apresenta como um agressor.

“Basta ver o vídeo. Qualquer um que tenha olhos pode ver o que aconteceu naquele dia. Esta não é a América que queremos”, declarou à AFP Tricia Dolley, enfermeira de 38 anos.

O ativista tinha autorização para portar armas, segundo as autoridades locais.

Em 7 de janeiro, um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) matou a tiros a ativista Renee Good, uma mãe de três filhos, também de 37 anos, a bordo de seu carro.

Audiências judiciais

Um tribunal federal de Minnesota realizou uma audiência nesta segunda-feira para discutir se a mobilização do ICE viola as leis em Minnesota.

Em outra audiência, uma juíza apreciou uma demanda para obrigar o governo federal a preservar as provas relacionadas ao homicídio de Pretti.

Minneapolis, governada pelos democratas, é uma cidade-santuário, o que significa que sua polícia não coopera com as forças migratórias federais.

Vários senadores do Partido Republicano — o mesmo de Trump — pediram uma investigação exaustiva sobre os homicídios e cooperação com as autoridades locais.

Os democratas no Congresso ameaçam bloquear votações orçamentárias iminentes se não for suspensa a mobilização do ICE e da polícia fronteiriça nas cidades-santuário.

O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, explicou que bloquearia qualquer novo financiamento que incluísse o DHS, que considera “lamentavelmente inadequado para controlar os abusos do ICE”.

Em ano eleitoral, Trump mantém também a pressão sobre outra frente política em Minnesota.

“Separadamente, continua uma grande investigação sobre a maciça fraude dos serviços sociais, de mais de 20 bilhões de dólares [R$ 105,5 bilhões], que ocorreu em Minnesota”, explicou Trump na Truth Social.

O governo Trump empreendeu uma ampla revisão das ajudas recebidas majoritariamente pela comunidade somali neste estado governado pelos democratas.

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