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Mundo

Trump declara ‘era de ouro’ da América em discurso ao Congresso

O presidente destacou conquistas econômicas, mas pesquisas revelam insatisfação com custo de vida e políticas externas.

Redação Jornal de Brasília

25/02/2026 8h52

president trump spends weekend at his mar a lago resort in florida

Foto: SAMUEL CORUM VIA AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na terça-feira (24), durante o discurso sobre o Estado da União ao Congresso, que inaugurou a ‘era de ouro da América’. Ele buscou projetar uma aura de sucesso, focando principalmente na economia por cerca de uma hora, apesar da queda em seus índices de aprovação e da frustração dos eleitores às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

Trump afirmou que desacelerou a inflação, impulsionou o mercado de ações a níveis recordes, assinou reduções fiscais significativas e reduziu os preços dos medicamentos. No entanto, ele culpou seu antecessor democrata, Joe Biden, pelos altos custos de vida, embora pesquisas de opinião indiquem que os eleitores o responsabilizam por não ter aliviado a crise de acessibilidade. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou que apenas 36% dos norte-americanos aprovavam sua gestão da economia.

Dados recentes revelaram que a economia desacelerou mais do que o esperado no último trimestre, enquanto a inflação acelerou. Preços de alimentos, moradia, seguros e serviços públicos permanecem significativamente mais altos do que há alguns anos. Trump subiu ao palco sob aplausos dos republicanos, declarando: ‘Nossa nação está de volta — maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca’.

Dezenas de assentos democratas ficaram vazios, com legisladores participando de manifestações contra Trump do lado de fora. O discurso ocorreu em um momento difícil para sua presidência, com insatisfação generalizada, ansiedade sobre o Irã e o fracasso de sua política tarifária após a Suprema Corte derrubar a maioria dos impostos de importação. Trump considerou a decisão ‘lamentável’, mas minimizou seu impacto.

Em política externa, Trump dedicou pouco tempo ao tema, afirmando ter ‘encerrado’ oito guerras — um exagero —, e mal mencionou a Ucrânia, no quarto aniversário da invasão russa. Não falou sobre a China ou a Groenlândia. Sobre o Irã, ele disse preferir resolver por diplomacia, mas garantiu não permitir que o país obtenha armas nucleares.

Ao discutir imigração, Trump repetiu retórica de sua campanha de 2024, culpando migrantes sem documentos por crimes violentos, contrariando estudos. Ele trocou insultos com democratas, repreendendo-os por não apoiarem medidas contra a imigração e exigindo identificação eleitoral, que os opositores veem como supressão de votos. A deputada Ilhan Omar gritou: ‘Você matou norte-americanos!’, referindo-se a mortes por agentes federais em Minneapolis.

O deputado Al Green foi retirado da Câmara pela segunda vez após exibir um cartaz contra um vídeo racista postado por Trump retratando Barack e Michelle Obama como macacos. Outros democratas protestaram de forma mais discreta, como a deputada Jill Tokuda com uma jaqueta sobre acessibilidade e saúde, e crachás sobre o escândalo de Jeffrey Epstein, com acusadoras presentes como convidadas.

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