O presidente Donald Trump convidará para Washington Delcy Rodríguez que assumiu a presidência da Venezuela de forma interina após a queda de Nicolás Maduro em uma ação americana.
Rodríguez era a vice-presidente de Maduro e assumiu o poder plenamente com mudanças no gabinete ministerial e em 12 dos 28 comandos regionais das Forças Armadas.
Washington informou nesta quarta-feira (21) que a visita de Rodríguez está prevista, embora ainda não tenha data: “Nada foi agendado”, indicou.
A presidente interina será a primeira governante da Venezuela a viajar aos Estados Unidos em mais de um quarto de século, excluindo-se as visitas para reuniões das Nações Unidas em Nova York.
O convite mostra a proximidade de Trump com o governo interino, após o bombardeio a Caracas de 3 de janeiro que levou à captura do mandatário socialista.
“Estamos em um processo de diálogo, de trabalho com os Estados Unidos, sem medo algum de enfrentar as diferenças, as dificuldades”, disse Rodríguez nesta quarta-feira sem fazer referência ao convite. Ela ainda é alvo de sanções de Washington, incluindo o congelamento de bens.
Trump disse no Fórum de Davos que “os líderes do país têm sido muito espertos”, referindo-se a Rodríguez. “A Venezuela ganhará mais dinheiro [com o petróleo] nos próximos seis meses do que ganhou nos últimos 20 anos”.
O republicano já havia qualificado anteriormente Rodríguez como “formidável” e havia assegurado que com ela “tudo vai muito bem”.
A nova presidente assinou acordos petrolíferos e concordou em libertar presos políticos, em meio a discussões para retomar as relações diplomáticas rompidas desde 2019.
Trump mantém paralelamente uma frente aberta com a oposição venezuelana. Disse na terça-feira (20) que queria “envolver” a líder da oposição María Corina Machado na gestão do país sul-americano.
O último presidente venezuelano que viajou aos Estados Unidos para uma reunião oficial com um presidente americano remonta a 1990, quando Carlos Andrés Pérez se reuniu com George H. W. Bush.
A guinada socialista com Hugo Chávez (1999-2013) esfriou depois as relações, que rapidamente se tornaram conflituosas.
Empossada em 5 de janeiro, dois dias após a captura de Maduro por forças americanas, Rodríguez fez numerosas concessões sob pressão dos Estados Unidos. Trump não hesitou em ameaçá-la com um novo ataque se não respondesse positivamente às suas exigências.
AFP