O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do país de 66 entidades internacionais, incluindo 31 ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as afetadas estão a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), base do Acordo de Paris de 2015, e a ONU Mulheres, dedicada à igualdade de gênero e empoderamento feminino.
Trump justificou a decisão alegando que essas organizações operam de forma contrária aos interesses nacionais americanos. O memorando presidencial lista ainda o Fundo de População da ONU (UNFPA), focado em planejamento familiar e saúde materno-infantil, além de outras como a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento e o Fórum Internacional de Energia.
Pela primeira vez em três décadas, os Estados Unidos não participaram da cúpula climática internacional da ONU em 2025, realizada no Brasil em novembro. Manish Bapna, presidente do Natural Resources Defense Council, destacou que os EUA seriam o primeiro país a se afastar da UNFCCC, enfatizando a importância de manter um assento nas negociações globais para influenciar políticas e oportunidades econômicas.
A medida reflete a desconfiança de longa data de Trump em instituições multilaterais, especialmente a ONU. Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, ele reduziu o financiamento voluntário para a maioria das agências da ONU, suspendeu contribuições à UNRWA e abandonou a Unesco. Trump também anunciou planos para deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Acordo de Paris.
De acordo com o memorando, a retirada implica o cessar de participação e financiamento permitido por lei. A Casa Branca afirmou que as entidades promovem ‘políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos’ que conflitam com a soberania e a economia americana, integrando uma revisão de tratados e convenções internacionais para realocar recursos do contribuinte.
Um porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, não respondeu a pedidos de comentário.