Menu
Mundo

Trump afirma que guerra com o Irã foi ‘encerrada’ antes da obrigação da aprovação do Congresso

Casa Branca sustenta que operações militares foram encerradas para contornar exigência legal, apesar de manter presença na região

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 20h49

us politics trump

Foto: JIM WATSON / AFP

O governo Trump enviou uma carta ao Congresso americano nesta sexta-feira, 1º, em que afirma que as hostilidades contra o Irã “terminaram”, apesar da grande presença militar americana no Oriente Médio.

Dessa forma, e com essa interpretação, a Casa Branca evita a necessidade de buscar a aprovação do Congresso para continuar a guerra. Essa autorização é necessária depois de 60 dias da notificação da Casa Branca ao Congresso sobre as operações militares no Irã. O prazo foi atingido nesta sexta-feira.

Mas o presidente americano Donald Trump afirmou que seus antecessores também não buscaram aprovação do Congresso para ações militares no exterior, e que ele não seria diferente.

“Todos os outros presidentes consideraram isso totalmente inconstitucional, e nós concordamos”, disse Trump na Casa Branca.

Ele também concordou com o argumento apresentado pelo Secretário de Defesa, Pete Hegseth, nesta semana, de que os dias de cessar-fogo não deveriam ser contabilizados como hostilidades e, portanto, não deveriam ser levados em conta no limite de 60 dias.

Um oficial americano afirmou à Associated Press (AP) que as ações militares dos EUA no Irã foram efetivamente “encerradas” desde o cessar-fogo de 7 de abril.

Embora o cessar-fogo tenha sido prorrogado, o Irã mantém o controle sobre o Estreito de Ormuz, e a Marinha dos EUA mantém um bloqueio para impedir que os petroleiros iranianos cheguem ao mar.

Carta

A carta evidencia a ousada, porém juridicamente questionável, demonstração de poder presidencial que está no cerne da guerra de Trump, iniciada sem a aprovação do Congresso há dois meses.

Ele também deixou claro no comunicado ao Congresso que a guerra pode estar longe de terminar.

“Apesar do sucesso das operações dos Estados Unidos contra o regime iraniano e dos esforços contínuos para garantir uma paz duradoura, a ameaça representada pelo Irã aos Estados Unidos e às nossas Forças Armadas permanece significativa”, disse o presidente republicano.

De acordo com a Resolução sobre Poderes de Guerra, a lei que buscava restringir os poderes militares de um presidente, Donald Trump tinha até sexta-feira para buscar autorização do Congresso ou cessar as hostilidades. A lei também permite que um governo estenda esse prazo por 30 dias.

“Esse prazo não é uma sugestão; é uma exigência”, disse a senadora Susan Collins, republicana do Maine, que votou na quinta-feira a favor de uma medida que encerraria a ação militar no Irã, já que o Congresso não a havia aprovado. Ela acrescentou que “qualquer ação militar adicional contra o Irã deve ter uma missão clara, objetivos alcançáveis e uma estratégia definida para encerrar o conflito”.

Estadão Conteúdo

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado