O presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar que os líderes europeus não irão “resistir muito” à sua tentativa de comprar a Groenlândia.
“Não acho que eles vão resistir muito. Precisamos disso. Eles precisam que isso seja feito”, disse ele a um repórter na Flórida, que perguntou na última segunda-feira o que Trump planejava dizer aos líderes europeus que se opunham aos seus planos. O republicano tem defendido abertamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos.
A proposta, rejeitada tanto por Copenhague quanto pelo governo autônomo da ilha, reacendeu tensões diplomáticas. Líderes dinamarqueses reiteraram que o território não está à venda e que a Groenlândia já é protegida pelo acordo de defesa coletiva da Otan.
Embora a Dinamarca governe a Groenlândia há muito tempo, o território vem ganhando cada vez mais confiança e autonomia. De acordo com a lei dinamarquesa, a ilha tem o direito de convocar um referendo sobre a independência e se separar. Mas isso ainda não aconteceu, em parte porque a Groenlândia ainda depende de centenas de milhões de dólares por ano em subsídios dinamarqueses.
Parte do desconforto deste momento é que a ilha foi lançada em um turbilhão geopolítico para o qual não está preparada. Apesar de sua vasta área, maior que a do México, a Groenlândia, a maior ilha do mundo, tem apenas 57.000 habitantes. Mais uma vez, decisões que podem afetá-la drasticamente serão tomadas em escritórios a milhares de quilômetros de distância.
Entrevistas realizadas nos últimos dias com habitantes da ilha de diferentes partes do território e diferentes classes sociais revelam que as pessoas na ilha não querem ser recolonizadas por uma nova potência externa e que apenas uma pequena minoria tem o mais leve interesse em se juntar aos Estados Unidos. /Com AFP