A imprensa boliviana informou que sete responsáveis do órgão judicial decidiram transferir de La Paz até Santa Cruz, no leste e de maioria opositora ao Governo, um conflito de competências entre os distritos para levar o caso da suposta quadrilha de terroristas desbaratada em abril.
O vice-presidente, Álvaro García Linera, manifestou a “surpresa e indignação” do Executivo pelo que considerou um “atropelo à legalidade”, em referência à resolução dos magistrados.
“Vamos processar os juízes que tomaram essa decisão violentando os procedimentos internos da Corte e violentando um tema de proteção da sociedade e do Estado”, disse à imprensa.
Ele afirmou que a decisão dos ministros judiciais é “um sinal que aponta a impunidade em torno de um tema muito delicado: a segurança do Estado”.
García Linera considerou que o problema de transferir o caso a Santa Cruz é que o sistema judiciário dessa região “é dos piores no país, porque aí não se maneja a justiça”, mas sim a “manipula em função de favores pessoais”.
Em 16 de abril, a Polícia boliviana realizou uma operação antiterrorista em um hotel no centro de Santa Cruz onde foram mortos cinco membros de uma suposta quadrilha de mercenários internacionais que, segundo denuncia o Governo, preparava um magnicídio contra o presidente Evo Morales.
O Governo e a Promotoria vincularam líderes políticos e empresariais de Santa Cruz com a suposta trama terrorista.
A imprensa boliviana afirmou que a Corte explicou que resolveu transferir o caso porque o distrito de Santa Cruz conheceu a causa antes que o de La Paz.