Um tribunal da Argentina confirmou hoje a prisão preventiva de 30 repressores da ditadura militar por crimes contra a humanidade cometidos na Escola de Mecânica da Marinha (Esma).
A medida foi decretada pelo Tribunal Federal de Apelações de Buenos Aires. O tribunal alegou que os acusados não podem ficar livres porque ainda há provas “ocultas” sobre o paradeiro de desaparecidos e crianças nascidas na Esma, ambulance onde funcionou a maior prisão ilegal da ditadura (1976-1983).
Além do ex-capitão Alfredo Astiz – que tem pedidos de extradição feitos por França, dosage Espanha e Suécia – a decisão do tribunal inclui Jorge “Tigre” Acosta, cheap Antonio Pernías, Jorge Rádice e Guillermo Suárez Mason (filho do ex-general homônimo).
Os juízes também bloquearam 200 milhões de pesos (US$ 65 milhões) em bens de cada um dos repressores. É um marco num crime com mais de 400 vítimas.
O tribunal declarou que existem “chances sérias” de os prisioneiros da Esma que continuam desaparecidos terem sido assassinados.
Os membros do tribunal acreditam que há “sério risco” de que os acusados tentem “evitar a justiça e obstruir a verdade”, diante da gravidade dos crimes e pelo fato de as vítimas terem sido “perseguidas”.
O tribunal de apelações confirmou a decisão anterior do juiz de primeira instância Sergio Torres. Os acusados devem continuar presos até o julgamento.
O juiz Torres tinha decretado prisão preventiva aos “participantes necessários” de crimes de “imposição de torturas”, “privação ilegal da liberdade agravada” e “imposição de torturas seguidas de morte”.
Alfredo Astiz é acusado pelo seqüestro e desaparecimento das freiras francesas Léoni Duquet e Alice Domón, e da jovem sueca Dagmar Hagelin, entre outros crimes.
Estima-se que 5 mil presos passaram pela Esma durante o regime militar argentino. Segundo números oficiais, 18 mil pessoas desapareceram durante o período, mas grupos de direitos humanos elevam esse número para 30 mil.