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Tribunal superior francês confirma nova condenação contra ex-presidente Sarkozy

Ex-presidente, já condenado em outro processo neste ano, terá de cumprir parte da pena de 12 meses por se beneficiar de caixa dois que ocultou gastos acima do limite legal

Redação Jornal de Brasília

26/11/2025 13h16

Ian Langsdon/AFP

A Corte de Cassação francesa confirmou, nesta quarta-feira (26), a condenação do ex-presidente Nicolas Sarkozy por se beneficiar de financiamento ilegal durante sua campanha eleitoral de 2012, um caso diferente daquele que o levou à prisão este ano.

Sarkozy, de 70 anos, foi condenado em apelação no dia 14 de fevereiro de 2024 a 12 meses de prisão, dos quais seis meses de cumprimento obrigatório, por se beneficiar, como candidato à reeleição, de um financiamento político ilegal.

O ex-presidente “toma nota do indeferimento de seu recurso, tal e como sempre fez com as decisões proferidas contra ele”, escreveram os advogados de Sarkozy em um comunicado enviado à AFP.

As investigações revelaram que foi criado um sistema de caixa dois para ocultar o aumento dos gastos de sua campanha fracassada, quase o dobro do limite autorizado de 22,5 milhões de euros (140 milhões de reais, na cotação atual).

O sistema atribuía ao seu então partido conservador UMP grande parte do custo dos comícios, sob o pretexto de convenções fictícias. Sarkozy sempre rechaçou qualquer “responsabilidade penal” neste caso.

“Embora o tribunal de apelação tenha constatado que ele nunca teve conhecimento pessoal do excesso de gastos de sua campanha em 2012, devido ao desvio de fundos por parte da empresa Bygmalion, o Tribunal de Cassação considera, não obstante, que sua mera condição de candidato é suficiente para que seja penalmente responsável”, lamentaram seus advogados no comunicado.

“No entanto, contávamos com um precedente favorável sobre o tema da Assembleia Plenária do Tribunal de Cassação, que é a formação mais solene deste tribunal. Portanto, a solução adotada contra Nicolas Sarkozy é, mais uma vez, inédita”, acrescentaram.

O tribunal impôs uma pena inferior à da primeira instância, que em 2021 sentenciou o ex-presidente a um ano de prisão com a possibilidade do cumprimento da sentença em casa com uma tornozeleira eletrônica.

A condenação pelo chamado caso Bygmalion é a segunda definitiva contra o marido da cantora Carla Bruni na França, após o caso das escutas. Em virtude deste último, ele já usou entre fevereiro e maio uma tornozeleira eletrônica.

O presidente conservador entre 2007 e 2012 ainda enfrenta outros problemas judiciais. Entre 16 de março e 3 de junho, será julgado em apelação pelo suposto financiamento ilegal de sua primeira campanha presidencial.

Em setembro, a Justiça o condenou a cinco anos de prisão por permitir que pessoas próximas a ele se aproximassem da Líbia de Muamar Kadhafi, falecido em 2011, para obter fundos com os quais financiou ilegalmente a campanha que o levou ao poder em 2007.

Embora Sarkozy pudesse recorrer da sentença, o tribunal ordenou a aplicação imediata da pena, razão pela qual passou 20 dias na prisão parisiense de La Santé entre outubro e novembro, antes de obter a liberdade condicional.

No dia 10 de dezembro, ele deve publicar um livro sobre sua experiência na prisão, a primeira de um ex-chefe de Estado francês desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

AFP

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