Um tribunal rejeitou hoje o recurso da líder opositor e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, contra sua pena de 18 meses de prisão domiciliar por ter deixado entrar em sua casa um estrangeiro.
Assim confirmaram fontes próximas à ativista, que viveu sob algum tipo de confinamento durante quase quatorze dos últimos vinte anos.
O juiz rejeitou os argumentos da defesa, que sustenta que a decisão se fundamenta na Constituição de 1974, revocada em 2008 após o plebiscito popular auspiciado pelo regime birmanês que deu sinal verde a uma nova Carta Magna.
Segundo o magistrado, os advogados de Suu Kyi não apresentaram nenhum dado não revelado durante o julgamento realizado na sala especial de um tribunal de Yangun vigiado com zelo por dezenas de soldados para prevenir qualquer tipo de incidente.
Há dois meses, a Nobel da Paz foi sentenciada a três anos de prisão e trabalhos forçados por haver deixado entrar em sua casa o americano John Michael Yettaw, que por sua vez foi condenado a sete anos de prisão e quatro de trabalhos forçados mas já foi deportado.
A pena de Suu Kyi depois foi reduzida a 18 meses de confinamento em sua casa por ordem direta do chefe do general Than Shwe, chefe da Junta Militar que governa Mianmar (Mianmar).
Assim se confirma que a opositora não poderá participar das eleições que o regime planeja realizar no ano que vem, apesar de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND), ainda não ter claro se concorrerá.
Mianmar é uma ditadura militar desde 1962 e não celebra um processo eleitoral democrático desde 1990, quando a LND de Suu Kyi arrasou nas urnas ao partido oficial, embora o resultado jamais fosse acatado pelos militares.