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Tribunal investigará atuação da Polícia norte-irlandesa no atentado de Omagh

Arquivo Geral

01/04/2008 0h00

Um tribunal especial analisará as atuações da Polícia norte-irlandesa no atentado de Omagh (1998), buy depois que o único acusado pela ação, Sean Hoey, foi absolvido pela Justiça em dezembro, confirmaram hoje fontes oficiais.

A equipe revisora, integrada por três pessoas, é liderada pelo ex-superintendente da Polícia de Nottinghamshire (Inglaterra) Dan Crompton, que já apresentou em 2002 recomendações para a reforma da Unidade Especial da Polícia norte-irlandesa (PSNI).

O órgão ficou sob suspeita durante anos por suposta conivência com paramilitares protestantes.

Crompton entregará nesta quinta-feira um relatório preliminar ao Comitê da PSNI – órgão formado por todos os partidos da província para revisar a atuação das forças da ordem -, mas suas conclusões finais só ficarão prontas no final deste mês.

As autoridades norte-irlandesas ordenaram esta investigação por causa da absolvição de Hoey, acusado do assassinato das 29 pessoas na explosão de Omagh, uma ação atribuída ao IRA Autêntico, uma cisão do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Em sua decisão, o juiz instrutor criticou duramente o caso apresentado pela Promotoria, pois, em sua opinião, estava infestado de graves irregularidades, entre elas “erros deliberados e premeditados” por parte de duas testemunhas das forças de segurança.

Sem citar nomes, o magistrado atribuiu grande parte do fracasso da acusação ao ex-chefe do Royal Ulster Constabulary (RUC, antiga Polícia norte-irlandesa) Sir Ronnie Flanagan, responsável pelos erros nas investigações de seus homens após o atentado de Omagh.

Para esta análise, Crompton se reunirá com autoridades da PSNI e com alguns dos parentes das vítimas do atentado, segundo fontes oficiais.

Michael Gallagher – cujo filho, Aidan, morreu em Omagh – afirmou hoje que sua intenção é transferir para a equipe investigadora suas “preocupações” com o caso, concretamente “tudo o relacionado com a qualidade e quantidade das testemunhas”.

Apesar de ter comemorado a implicação de Crompton, Gallagher insistiu na necessidade de estabelecer um tribunal especial além da fronteira no qual colaborem as autoridades de Belfast, Londres e Dublin.

“Depois da absolvição de Hoey, é vital que tenhamos uma investigação especial. Apesar de todas as agências de inteligência do norte e sul (da Irlanda) terem estado, de alguma forma, implicadas, não houve ainda qualquer condenação na Irlanda do Norte”, lembrou Gallagher.



 

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