As assembléias gerais dos diferentes sindicatos de empresas públicas dos transportes e energia concordaram na sexta-feira que a paralisação deveria continuar por todo o fim de semana, para manter a pressão contra a intenção do Governo de modificar o modelo de previdência dos trabalhadores do setor, que afeta 500 mil pessoas.
A paralisação começou na quarta-feira, e hoje o governo ofereceu uma negociação de um mês aos diretores das empresas públicas e aos sindicatos em um gesto que parecia representar uma rápida solução do conflito.
No entanto, a negociação não começou, e por isso o Executivo se reservou o direito de aplicar seu projeto de reforma, que afeta 500 mil trabalhadores e significa a ampliação de 37,5 para 40 anos do tempo de contribuição para ter uma aposentadoria integral.
Os sindicatos reivindicam um primeiro encontro que estabeleça o início das negociações nas diferentes empresas afetadas. O governo condicionou a abertura do diálogo a um retorno ao trabalho, o que os sindicatos não admitem para manter a pressão sobre o Executivo.
As direções das centrais parecem dispostas a negociar, mas as bases manifestaram em assembléias o desejo de manter a paralisação. Com a passagem dos dias, a adesão à greve se reduziu progressivamente, mas os funcionários que se mantêm são do setor mais duro.
Vários analistas consideram que o Governo optou por permitir a atitude dos trabalhadores de manter a greve, com a esperança de que o movimento diminua até acabar, o que daria aos sindicatos menos força em uma negociação.
Outro fator que seria importante, segundo diferentes pesquisas de opinião, é que a greve é cada vez mais impopular entre os cidadãos. Para 20 de novembro está convocada uma greve no setor dos funcionários públicos, que protestam contra o que consideram uma perda de poder aquisitivo.
A coincidência das duas mobilizações será um elemento de difícil interpretação, pois poderia prejudicar a imagem dos sindicatos, mas também transferir a impressão de um protesto cada vez mais amplo contra o Executivo.
Na frente sindical foi verificado um racha, porque uma das sete centrais que convocaram a paralisação nas ferrovias, a CFDT, declarou que deseja a suspensão da greve e o início imediato de negociações.
Segundo o Ministério da Economia, cada dia de paralisação representa uma perda de 400 milhões de euros ao Governo francês. A empresa estatal de ferrovias prevê que no melhor dos casos estejam circulando hoje 180 trens de alta velocidade, dos 700 que estariam em operação em um dia normal, e que no domingo esse número deve aumentar ligeiramente.
As outras linhas de percurso funcionam em uma proporção semelhante, e nos arredores de Paris as linhas funcionam, no máximo, com um terço do habitual. Na capital francesa estão paralisadas totalmente seis das 14 linhas do metrô e as que funcionam operam de maneira desigual, mas sempre abaixo de 50%, e nos ônibus a proporção é de 40%.