Um ambiente de tranquilidade e um alto índice de participação nas urnas marcaram hoje as quartas eleições gerais da história de Moçambique, desde que o país obteve a independência de Portugal, em 1975.
Na capital Maputo a Efe pôde comprovar em vários colégios eleitorais um ambiente de calma e a votação decorrendo com normalidade, mesmo com as longas filas em alguns deles.
As filas se mantiveram em Maputo durante o dia todo e, segundo a emissora oficial, Rádio Moçambique, em outros lugares do país os eleitores também acudiram em massa às urnas desde as 4h hora local (22h de terça-feira de Brasília), três horas antes da abertura dos centros de votação.
Alguns comentaristas locais e observadores eleitorais nacionais indicaram a Efe que, ao se manter tal ritmo, a participação nestas eleições será consideravelmente maior que em 2004, quando não chegou a 40%.
O atual presidente e grande favorito à reeleição pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Armando Guebuza, foi um dos primeiros a votar numa escola no centro de Maputo.
Guebuza, cujo partido governa Moçambique desde a independência, ressaltou seu desejo que de haja uma grande participação popular nas urnas e que, “levando em conta o grande público presente nos atos do período de campanha, esperamos que haja mais eleitores desta vez”.
O candidato da antiga guerrilha Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, derrotado nas três anteriores ocasiões por candidatos da Frelimo, votou também em Maputo, onde expressou seu desejo de que estes eleições sejam “livres e justas”.
Dhlakama insistiu em que é necessário que os resultados das eleições sejam “transparentes” para que seja aceito por todos, sem que “se repitam as disputas eleitorais ocorridas em outros países” africanos, como Quênia e Zimbábue.
O terceiro candidato à Presidência, Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), votou em um colégio da cidade portuária de Beira e disse que chegar à Presidência do país é “o sonho da minha vida”, mas que “o deixo nas mãos de Deus”.
Embora a Polícia anunciasse que todos seus efetivos estariam desdobrados para garantir a tranquilidade da jornada de votações, nas ruas de Maputo, onde a situação é de total normalidade, segundo as rádios e televisões locais, não se vê uma grande presença policial.
Cerca de dez dos 22 milhões de moçambicanos estão registrados para votar e escolher presidente, 250 deputados do Parlamento e dez assembléias provinciais.
Um total de 17 partidos e duas coalizões apresentam candidaturas para a Assembleia da República, embora só a Frelimo e a Renamo o fazem em todas circunscrições.
Desde a independência de Portugal, há 34 anos, a Frelimo governa Moçambique e hoje tem também uma maioria legislativa cômoda, com 160 das 250 cadeiras da Assembléia da República, que espera revalidar, especialmente devido à fraqueza de uma oposição dividida.
Mais de mil de observadores nacionais e internacionais da União Europeia (UE), União Africana (UA) e Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC), supervisionam o desenvolvimento da votação.
A apuração dos votos se iniciará logo após o fechamento das urnas, às 18h hora local e os primeiros dados parciais poderiam conhecer-se esta noite ou amanhã, embora a Lei Eleitoral dê de prazo até 13 de novembro para que a Comissão Nacional de Eleições proclame os resultados definitivos.