A descoberta de nove corpos esquartejados em 57 pedaços no sul do México é mais um exemplo da crueldade da guerra entre os cartéis do tráfico de drogas do país, que só neste ano já deixou mais de cinco mil mortos.
Os corpos de nove homens foram encontrados em frente a uma clínica no município mexicano de Tlapehuala, no estado de Guerrero e na fronteira com o de Michoacán, informaram hoje as autoridades da região, que sofre há semanas com uma escalada de violência por parte do crime organizado.
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Civil de Guerrero declarou em comunicado que os cadáveres foram achados por volta das 22h30 locais de quinta-feira (0h30 de sexta-feira em Brasília) em frente à clínica Cristo Rey, na saída de Tlapehuala, 365 quilômetros ao sudoeste da Cidade do México.
A Polícia chegou ao local após receber uma denúncia anônima. Lá, as autoridades encontraram uma mensagem no qual supostamente o cartel La Familia Michoacana, um dos maiores do país, assume a autoria dos homicídios.
Os corpos de oito homens acima dos 30 anos e de um aparentemente menor de idade estavam na parte traseira de uma caminhonete que obstruía a estrada Altamirano-Iguala, onde fica a clínica.
Os policiais encontraram nove sacos plásticos com os troncos dos corpos e outros nove que continham cabeças, braços cortados até o cotovelo e pernas decepadas das nove pessoas, que vestiam apenas suas roupas íntimas e cujas identidades ainda são desconhecidas.
Sete dos cadáveres apresentavam marcas de tiros na nuca. Alguns também estavam com os crânios afundados aparentemente por fortes agressões, em um tipo de cena de horror cada vez mais comum no México.
No interior do veículo, a Polícia encontrou duas folhas de cartolina. Uma delas dizia “A Família não mata inocentes, morre quem deve morrer, aqui está tua gente, recolha-a e venha brigar”; a outra, “Para que aprendam a respeitar”. Ambas estavam assinadas com as iniciais “F.M.”.
De acordo com a Procuradoria local, este é o crime mais brutal registrado nessa região do país e provavelmente em todo o México.
No entanto, três cadáveres foram achados esquartejados em 22 de agosto na cidade de Coyuca, também em Guerrero. Cada um deles estava dividido em 12 pedaços, em outro grotesco assassinato reivindicado também pelo cartel La Familia Michoacana.
Para completar, foram encontrados hoje em Guerrero dois corpos de mãos atadas dentro do porta-malas de um automóvel no popular balneário de Acapulco, um dos principais destinos turísticos do México, em um homicídio reivindicado por um indivíduo autodenominado “O chefe dos chefes”.
Na terça-feira, o estado de Guerrero também foi palco da descoberta dos cadáveres de dois militares.
Desde semana passada, pelo menos 20 homens foram assassinados em Guerrero por um grupo desconhecido ou pelo “Chefe dos chefes”.
Edgardo Buscaglia, assessor da ONU em matéria de corrupção e crime organizado, afirmou que o La Familia Michoacana é um grupo formado por quase cinco mil pessoas e quadruplicou de tamanho nos últimos cinco anos.
Esta organização criminosa começou com a prática de esquartejar seus rivais há três anos, quando alguns de seus integrantes jogaram cinco cabeças na pista de dança de um bar.
Desde julho, as autoridades mexicanas intensificaram suas ações contra La Familia Michoacana depois de membros do cartel terem matado 12 policiais federais em uma única ação e cometerem vários atentados contra instalações das forças de segurança em represália à detenção de um de seus dirigentes.
Desde 2007, milhares de soldados do Exército mexicano e agentes federais participam da Operação Conjunta de Guerrero para combater o crime organizado nesse estado.