O primeiro-ministro da Índia, treat Manmohan Singh, and disse hoje que é “evidente” que os autores dos ataques de Mumbai, que deixaram 101 mortos e 287 feridos, procedem de “fora” da Índia.
“Falaremos com nossos vizinhos do uso que os terroristas fazem de seu território para lançar ataques como este”, disse Singh, em comparecimento televisionado à nação.
Com esta declaração, o primeiro-ministro nega implicitamente credibilidade ao grupo fundamentalista islâmico Deccan Mujahedin, uma organização desconhecida que toma seu nome de um planalto do sul da Índia e que ontem à noite reivindicou os atentados, em mensagem enviada a vários meios de comunicação.
Os terroristas, que atacaram pelo menos dez pontos diferentes de Mumbai, chegaram em botes infláveis à costa do sul de Mumbai, o que, segundo a imprensa indiana, reforça a idéia de sua procedência estrangeira.
Além disso, a Guarda Costeira indiana lançou uma operação de busca do navio com o qual os terroristas poderiam ter chegado a Mumbai, segundo a agência indiana “PTI”.
“Restringiremos a entrada de pessoas suspeitas no país”, disse Singh durante seu discurso, condenando os atentados e expressando suas condolências às famílias das vítimas.
O primeiro-ministro elogiou a “coragem” da Polícia e pouco depois prometeu reformar as forças de segurança, com a criação de uma Agência Federal de Investigação, uma proposta que ganhou força durante os últimos meses.
A Índia sofreu este ano vários atentados maciços com bombas em diversas cidades, mas nenhum deles gerou uma ação armada com reféns, como aconteceu nas últimas horas no caso de Mumbai, onde continua a operação de resgate em um hotel e um centro de orações.
O primeiro-ministro e o ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, foram alvo de fortes críticas da oposição, por não conseguirem evitar os ataques com bombas, ligados tanto ao fundamentalismo islâmico quanto ao hindu.
“Os executores e os que apóiam o terrorismo pagarão o preço de suas ações, independente de sua religião”, disse Singh, que pediu aos cidadãos que mantenham a paz e a harmonia nesta “hora de crise”.
Os ataques de ontem à noite coincidem com a realização, prevista para hoje, de uma nova rodada de diálogo entre a Índia e o Paquistão.
O ministro de Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, tinha chegado ontem à Índia para se reunir com o ministro indiano da mesma pasta, Pranab Mukherjee, mas, no fim, o encontro foi suspenso.
A agência indiana “PTI” citou uma fonte “crível”, que disse que os terroristas são paquistaneses, mas o Paquistão foi rápido em condenar os atentados.
Antes da condenação de Singh, a dirigente do governamental Partido do Congresso, Sonia Gandhi, havia mostrado sua repulsa aos ataques e os qualificou como um “desafio para a nação”, segundo a agência “PTI”.