Policiais que apoiam o presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, trocaram disparos, nesta segunda-feira, com as tropas da ONU (Organização das Nações Unidas) que cercavam a sede do governo de Alassane Ouattara, considerado pela comunidade internacional o vencedor das últimas eleições presidenciais.
O incidente segue às manifestações contra a Operação da ONU na Costa do Marfim (ONUCI, da sigla em francês) dos militares franceses ao chefe de Estado Maior do país, Philippe Mangou, para que se mantivesse longe do conflito pós-eleitoral entre Ouattara e Gbagbo, presidente do país desde 2000.
A Polícia Nacional, partidária de Gbagbo, tratou de fechar os acessos ao Hotel Golf de Abiyan, onde se encontra Ouattara, seu primeiro-ministro e líder das Forças Novas, Guillaume Soro, e a maior parte dos membros de seu gabinete, segundo disse à Agência Efe uma fonte da sede de Ouattara, que pediu o anonimato.
No dia 2 de dezembro, o resultado da eleição anunciou a vitória a Ouattara com 54,1% dos votos contra 45,9% do presidente Laurent Gbagbo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o Conselho de Segurança apoiaram os resultados.
Pouco depois, Gbagbo contestou os resultados e levou a disputa ao Conselho Constitucional, que reverteu o resultado. O conselho anulou cerca de 500 mil votos de Ouattara, representando quase 10% dos votos, e colocou Gbagbo com 51,4% dos votos.
A eleição na Costa do Marfim que tinha como objetivo restaurar a estabilidade após uma guerra civil, iniciada em 2002, resultou numa onda de atos violentos e protestos.