A temperatura média registrada no planeta em 2010 se igualou às de 2005 e 1998, que foram os anos mais quentes da história, o que confirma mais uma vez o fenômeno do aquecimento global e potencializa a possibilidade de que os desastres naturais aumentem em intensidade e frequência.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou os dados nesta quinta-feira e indicou que a temperatura global observada no ano passado foi 0,53 graus centígrados superior a um período de referência adotado pela instituição científica que vai de 1961 a 1990.
Os dez anos mais quentes desde que existem estatísticas a respeito ocorreram a partir de 1998, assinalou o diretor-geral da OMM, Michel Jarraud, em entrevista coletiva.
Jarraud afirmou que o aquecimento global é um fato que ninguém mais pode negar e que a novidade é sua clara tendência a se reforçar ano a ano.
Segundo o diretor-geral da OMM, não é possível manter o ceticismo “frente aos fatos” que corroboram com a mudança climática, um fenômeno que não pode ser explicado “sem levar em conta a atividade humana”.
“A concentração de gases (de efeito estufa) é maior do que nunca e as leis da física dizem que só podem causar aquecimento”, explicou.
Jarraud afirmou que não há dúvida de que a mudança climática é uma realidade que persistirá “por anos” e que a única dúvida é sobre “a amplitude que terá”.
Para o diretor-geral, a abrangência do fenômeno dependerá das ações adotadas pelos Governos para reduzir as emissões, principalmente a de dióxido de carbono.
O cientista não quis estabelecer uma relação direta entre o aquecimento global e os graves desastres naturais ocorridos ao longo de 2010 em diferentes pontos do planeta, embora tenha reconhecido que as alterações estão relacionadas à crescente frequência e força das ondas de calor, chuvas torrenciais – seguidas de inundações e deslizamentos de terra – e furacões.
Segundo os dados apresentados pela OMM, que foram baseados em estatísticas apresentadas pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a Nasa, 2010 foi um ano excepcionalmente quente na maior parte da África, no sul e oeste da Ásia, assim como na Groelândia e no Ártico canadense.
Em nível mundial, poucos lugares experimentaram temperaturas inferiores à média: o norte da Europa e o centro e oriente da Austrália foram as principais exceções.
Em partes da Escandinávia (que tem temperaturas habitualmente baixas) chegou a ser registrada uma temperatura até 10 graus centígrados abaixo do normal.
Outra “má notícia” apresentada por Jarraud foi que em dezembro passado a camada de gelo no Ártico teve a maior redução identificada. Sua extensão foi de apenas 12 bilhões de quilômetros quadrados, o que representa 1,35 milhão de quilômetros quadrados a menos do que a média observada entre os anos de 1979 e 2000.
Entre as consequências desta redução, o diretor-geral da OMM mencionou o aumento do nível do mar, que causa erosão de regiões litorâneas e graves problemas nas ilhas habitadas, assim como a mistura da água salgada com fontes de água doce.