O governador da província de Teerã, Morteza Tamadon, descartou a possibilidade de a oposição realizar uma manifestação para protestar contra a queima de fotografias do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerada um insulto.
Em declarações divulgadas hoje pelo jornal pró-reformista “Etemad”, o responsável negou que tenha recebido um pedido da plataforma reformista Assembleia dos Clérigos Combatentes e declarou que não considera necessária a mobilização.
“É possível proteger o caminho do imame sem realizar manifestações”, disse Tamadon.
Na próxima sexta-feira, será convocada uma mobilização pró-governamental para protestar pelo mesmo motivo, após o sermão comunitário preceptivo, que conta com o sinal verde das autoridades.
A divulgação em 7 de dezembro das imagens em que se veem mãos incendiando uma fotografia de Khomeini no Teerã aguçou a crise que sacode o Irã desde que em junho o presidente, Mahmoud Ahmadinejad, venceu as eleições classificadas pela oposição de fraudulentas.
A cadeia atribuiu a ação a partidários da oposição, que negou, no entanto, o envolvimento de seus seguidores e condenou a ação.
Os principais líderes da oposição, Mir Hussein Mussavi e Mehdi Karrubí, classificaram de “suspeito” o incidente e pediram permissão para a realização de uma manifestação pacifica para demonstrar a rejeição a este gesto.
Tamadon insiste que não recebeu o pedido dos reformistas, embora o porta-voz da assembleia de Clérigos Combatentes, Majid Ansari, reitera que enviou a solicitação na segunda-feira passada por escrito e que tem justificativa para isso.
As reações no coração do país diante das polêmicas imagens continuam.
O deputado da província setentrional de Tabriz, Massoud Pezeshkian, duvida que os estudantes tenham sido os autores das agressões ao Imame.
“Uma televisão deve exibir as imagens e transmitir a realidade tal como é já que aparentemente não atuou de forma justa”, disse Pezeshkian, a quem citou a agência de notícias “Isna”.