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Suprema Corte dos EUA analisa pedido para encerrar ações climáticas contra petrolíferas

Decisão sobre processo de Boulder pode afetar cerca de 40 ações que responsabilizam empresas por danos ligados às mudanças climáticas

Redação Jornal de Brasília

05/10/2026 14h49

Foto: AFP

A Suprema Corte dos Estados Unidos ouvia, nesta segunda-feira (5), as partes de um caso que pode determinar o destino de dezenas de ações climáticas contra petrolíferas por seu papel no aquecimento global e por terem ocultado os perigos dos combustíveis fósseis.

Conhecido como Suncor contra Boulder, o litígio começou em 2018, quando a cidade e o condado de Boulder, no Colorado, processaram a ExxonMobil e a Suncor Energy, alegando que “causaram e contribuíram conscientemente para a alteração do clima”, enquanto “ocultavam e/ou distorciam os perigos” de seus produtos.

A Suncor opera uma refinaria no Colorado, enquanto a ExxonMobil mantém vínculos estreitos com esse estado das Montanhas Rochosas.

Os autores da ação afirmam ter sofrido prejuízos de centenas de milhões de dólares devido a incêndios florestais, inundações e outros fenômenos meteorológicos extremos decorrentes das mudanças climáticas associadas à queima de combustíveis fósseis.

Essa é uma das cerca de 40 ações semelhantes apresentadas por cidades, estados, povos indígenas e outras jurisdições locais, inspiradas em processos bem-sucedidos contra fabricantes de tabaco e opioides.

O governo do presidente Donald Trump apresentou uma manifestação pedindo à Suprema Corte que assumisse o caso, e os magistrados aceitaram.

A corte examina se a legislação federal – especificamente a Lei do Ar Limpo (Clean Air Act) – prevalece sobre as reivindicações de Boulder, se a Constituição impede esse tipo de ação e se pode analisar o caso antes de um julgamento.

Se os magistrados se concentrarem na possibilidade de analisar o caso antes de um julgamento, “isso basicamente adia o problema”, já que as questões mais amplas provavelmente seriam levantadas mais adiante, disse à AFP Katrina Kuh, professora de Direito Ambiental da Universidade Pace.

Uma decisão sobre as questões relativas à legislação federal, porém, seria importante para muitas ações pendentes.

“Poderia extingui-las por completo”, explicou Kuh. Os magistrados também poderiam limitar seu alcance, permitindo, por exemplo, que o Colorado aplique sua legislação estadual apenas às emissões dentro do estado.

AFP

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