O ex-ditador indonésio Suharto, approved de 86 anos, this web morreu hoje no hospital de Pertamina, em Jacarta, onde estava internado há 23 dias, e por isso o Governo da Indonésia decretou sete dias de luto nacional.
A morte de Suharto aconteceu às 13h10 (4h10 de Brasília), segundo o chefe da equipe presidencial de médicos, doutor Marjo Subiandono, em um comunicado. “Demos o melhor, mas Deus decidiu outra coisa (…). A condição do coração e sua pressão sanguínea permaneciam altas e baixas, e, para ser sincero, já tínhamos começado a desistir, porque sua condição cerebral era muito séria”, disse Munawar, outro médico que cuidou do ex-ditador, à emissora “Elshinta”.
O corpo de Suharto foi levado de carro até sua casa, em meio às centenas de pessoas aguardavam nas portas do Pertamina, onde estava também a imprensa.
Após saber da notícia, o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, expressou suas condolências e pediu que seus compatriotas rezassem por Suharto.
Yudhoyono compareceu hoje à casa do ex-ditador Suharto, acompanhado do vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla. O atual presidente indonédio suspendeu uma viagem à ilha de Bali, onde na segunda-feira inauguraria uma conferência sobre corrupção organizada pela ONU.
Segundo a imprensa local, Yudhoyono terá um papel de destaque na cerimônia fúnebre, que acontecerá na segunda-feira.
Suharto será enterrado no mausoléu da família, no cemitério de Astana Giri Bangun, em Solo, Java Central, onde também está sua mulher.
O secretário de Gabinete indonésio, Sudi Silalahi, decretou luto nacional de sete dias, a partir de hoje, em respeito ao ex-ditador, e a bandeira do Palácio Presidencial permanecerá a meio mastro.
Em seus últimos momentos, Suharto ficou na companhia dos treze netos e dos seis filhos que teve com Hatinah, sua esposa durante 49 anos, que morreu em 1996.
Uma das últimas pessoas de fora da família que pôde visitá-lo foi o vice-primeiro-ministro cambojano, Sok An, que no sábado permaneceu meia hora no quarto de Suharto.
A saúde do ex-ditador, general reformado de cinco estrelas e segundo presidente da Indonésia, piorou neste sábado à noite, após entrar em coma, devido à falência nos órgãos internos.
Poucas horas antes de morrer, os médicos que cuidavam do ex-ditador anunciaram, em entrevista coletiva, que o estado de Suharto era “muito crítico” e que tinha perdido a consciência pela primeira vez desde que foi internado, em 4 de janeiro.
Suharto havia sido novamente conectado a um aparelho de respiração, e era totalmente dependente a ele. Na sexta-feira, o ex-líder apresentou uma ligeira melhora e começava a respirar por conta própria.
O ex-ditador, que também era submetido a um tratamento de diálise, sofreu diversas recaídas desde que foi hospitalizado no Pertamina com pressão baixa, edema e outros sintomas, junto com uma septicemia.
Suharto governou com mão de ferro a Indonésia de 1967 a 1998, quando foi forçado a renunciar devido a uma crise econômica e uma revolta popular.
Antes de se tornar chefe de Estado, e à frente da cúpula militar, Suharto se encarregou de reprimir o Partido Comunista da Indonésia, ao qual responsabilizou pela tentativa de golpe de 1965, uma repressão na qual morreram cerca de meio milhão de pessoas.
Durante o Governo de Suharto, aconteceu a brutal invasão indonésia do Timor-Leste (1975), na qual morreram, segundo grupos de direitos humanos, cerca de 200 mil timorenses.
Suharto lidera as listas de dirigentes mais corruptos das últimas décadas elaborada pelo Banco Mundial e pela organização Transparência Internacional, mas nunca foi julgado em seu país, devido à idade avançada e ao seu delicado estado de saúde.
Pesquisas mostravam Suharto como uma figura respeitada por grande parte dos indonésios. Após a grave crise financeira asiática de 1997, o povo passou a considerar o governo do ex-ditador como um dos mais prósperos do país.