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Starmer defende decisão de não tomar partido em ataques contra Irã após críticas de Trump

Premiê afirma que decisão seguiu o interesse nacional e base legal; Londres autorizou uso limitado de bases britânicas para fins defensivos após ataques iranianos

Redação Jornal de Brasília

02/03/2026 14h22

Foto: Justin Tallis/AFP

Foto: Justin Tallis/AFP

O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, defendeu nesta segunda-feira (2) no Parlamento sua decisão de manter o Reino Unido afastado dos ataques iniciais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, após as críticas do presidente americano Donald Trump.

“O presidente Trump manifestou sua discordância com nossa decisão de não nos envolvermos nos ataques iniciais, mas é meu dever julgar o que atende ao interesse nacional do Reino Unido”, disse Starmer na Câmara dos Comuns.

Trump havia declarado nesta segunda-feira, em uma entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph, estar “muito decepcionado” com a recusa inicial de Starmer em permitir que Washington utilizasse bases militares britânicas em sua guerra contra o Irã, iniciada no sábado.

Depois de se recusar inicialmente a ter qualquer papel nos ataques, Starmer anunciou no domingo que havia aceitado o pedido americano de usar bases militares britânicas para um “propósito defensivo específico e limitado”.

Downing Street indicou que o primeiro-ministro tomou a decisão depois que o Irã lançou mísseis durante o fim de semana que colocaram “em risco” os interesses e cidadãos britânicos.

“Deixo claro que qualquer ação do Reino Unido deve sempre ter uma base legal”, afirmou Starmer aos parlamentares. Para o premiê, qualquer ação “deve contar sempre com um plano viável e bem pensado, e deve atender ao nosso interesse nacional”.

Uma base aérea britânica no Chipre foi atingida no domingo por um drone iraniano, enquanto outros dois foram interceptados antes de atingir seu alvo, anunciou nesta segunda-feira o governo do Reino Unido.

No Parlamento, o primeiro-ministro ressaltou que as bases militares britânicas no Chipre “não estão sendo utilizadas por bombardeiros americanos”.

O ataque “não foi uma resposta a nenhuma decisão que tenhamos tomado” e “foi lançado antes de nosso anúncio”, explicou Starmer.

No domingo, o Reino Unido deu sua autorização para que os Estados Unidos utilizem suas bases para realizar ataques “defensivos” destinados a destruir mísseis iranianos.

Apesar disso, o secretário de Estado britânico responsável pelo Oriente Médio, Hamish Falconer afirmou à BBC nesta segunda-feira que ” Reino Unido não está em guerra”.

Trump censurou Starmer por ter demorado “demais” para autorizar os americanos a utilizar a base militar de Diego Garcia, no oceano Índico, também nesta segunda-feira em entrevista ao The Daily Telegraph.

AFP

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