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Mundo

Solução para crise em Honduras parece estar mais distante

Arquivo Geral

06/11/2009 0h00


A solução para a crise em Honduras parece ter se afastado depois que o presidente de fato hondurenho, Roberto Micheletti, formou seu próprio “Governo de união nacional”, e o líder deposto, Manuel Zelaya, o acusou de ter provocado o fracasso do Acordo Tegucigalpa-San José.

“Eu cedi tudo o que me pediu para demonstrar que tenho altíssimos níveis de tolerância, minha tolerância chegou a ceder parte das minhas faculdades, de nomear ministros, mas o mandato que o povo me deu para representá-lo como presidente da República não é negociável sob nenhum conceito”, disse hoje Zelaya à “Rádio Globo”.

Zelaya deu por fracassado o acordo que venceu na quinta-feira à meia noite local, prazo até o qual deveria ser instalado um Governo de unidade, como estabelece o Acordo Tegucigalpa-San José, que as comissões de diálogo do presidente deposto e Micheletti assinaram no dia 30 de outubro.

O presidente deposto também disse que agora não tem partido político, nem “nenhum compromisso com o diálogo nem com o acordo”.

O embaixador dos Estados Unidos em Tegucigalpa, Hugo Llorens, disse aos jornalistas que a situação pode ser solucionada com boa fé e vontade política, e pediu que as partes retornem mais uma vez à mesa de negociações.

“Se há boa fé e vontade política isto pode ser resolvido”, disse Llorens, em um hotel na capital hondurenha onde se encontra para assistir à Comissão de Verificação do pacto, que conta com a participação de representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Há diferenças entre ambas as partes, mas acho que a ideia é tratar de voltar à mesa para conseguir outra vez por este marco de implementação do acordo”, ressaltou Llorens.

Por sua parte, o Governo de fato considera que foi Zelaya quem descumpriu o Acordo Tegucigalpa-San José por não ter apresentado propostas para um Governo de unidade.

A Comissão de Verificação “terá que expressar que até a meia noite (local de ontem) esperamos a resposta do senhor Zelaya para formar o Governo de unidade. Terá que dizer que essa proposta não chegou e que, consequentemente, isso é um descumprimento do ponto número um do acordo”, afirmou o ministro da Presidência de fato, Rafael Pineda.

O presidente deposto enfatizou que Micheletti não pode presidir um Governo que é reconhecido pela comunidade internacional e que “o acordo (Tegucigalpa-San José) está em letra morta”.

Pineda disse, além disso, que Zelaya ainda está a tempo de enviar suas sugestões para a integração do Governo de unidade.

“Tenho certeza de que o senhor presidente (…) receberá uma nota propondo as pessoas que a julgamento do senhor Zelaya podem integrar o Gabinete da Reconciliação e União Nacional”, expressou, em declarações ao “canal 5” de televisão.

Arturo Corrales, membro da Comissão de Verificação em representação de Micheletti, disse aos jornalistas que ele ainda não dá o Acordo Tegucigalpa-San José por fracassado.

Acrescentou que hoje tentaria comunicar-se com Jorge Reina, membro da Comissão de Verificação em representação de Zelaya.

Segundo Corrales, “o acordo segue vigente” e acrescentou que tenta comunicar-se com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos e com a ministra de Trabalho dos EUA, Hilda Solís, que representam a OEA na Comissão de Verificação.

Representantes da União Europeia (UE) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) chegaram hoje ao hotel onde a Comissão de Verificação está reunida para defender uma solução à crise hondurenha.

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