O socialista José Sócrates superou hoje a primeira prova do Executivo em minoria com o qual deve administrar Portugal nos próximos quatros anos no exame parlamentar, sem votação, do programa de seu novo Governo.
Depois de dois dias de debate na Assembleia Legislativa, na qual só escutou críticas, Sócrates considerou que o Executivo sai legitimado do primeiro comparecimento sem maioria absoluta na sua carreira como primeiro-ministro, iniciada em 2005.
A Constituição portuguesa não exige que o programa de Governo seja votado em sua primeira apresentação, salvo que algum partido peça uma moção de censura e o primeiro-ministro designado solicite uma de confiança.
“O Governo sai daqui com uma posse parlamentar, por isso que tem legitimidade. Este é o momento para começar a trabalhar e dar ânimo, esperança e confiança aos portugueses para resolver a crise”, afirmou o primeiro-ministro após o debate.
Com só 97 deputados socialistas do total de 230 que conta a Assembleia, Sócrates não obteve apoio para seu programa.
Sócrates e Manuela Ferreira Leite, líder do principal partido da oposição, o Social Democrata (PSD), voltaram a medir forças no debate dos projetos de investimentos, que incluem, além do trem de alta velocidade com a Espanha, um novo aeroporto para Lisboa e infraestrutura sociais e na saúde.
Apesar de não ter conseguido trégua dos adversários políticos, Sócrates demonstrou firmeza no debate em defesa de seus planos e resolvido a governar Portugal em minoria.
Lembrou aos partidos rivais que tinham perdido a oportunidade de contribuir para o programa, quando rejeitaram no mês passado o convite a dialogar.
A próxima prova será a aprovação dos orçamentos do Estado antes do final de janeiro, na qual toda a oposição manifesta disposição para transformar em uma batalha.