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Sob ingerência de Trump, Honduras vai às urnas com três candidatos empatados e acusações mútuas de fraude

A União Europeia (UE) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviaram missões de observação eleitoral

Redação Jornal de Brasília

30/11/2025 10h19

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Foto: ORLANDO SIERRA / AFP

NATHALIA DUNKER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os hondurenhos irão às urnas neste domingo (30) em meio a uma disputa acirrada entre três candidatos empatados, marcada por acusações mútuas de planos de fraude e por preocupações internacionais sobre a integridade do processo eleitoral e o respeito aos resultados. Soma-se a isso a ingerência dos Estados Unidos, com Donald Trump endossando abertamente um dos postulantes.

A disputa no país da América Central vai definir o sucessor da presidente de esquerda Xiomara Castro, em turno único. Não é permita a tentativa de reeleição imediata. Ao todo, são cinco candidatos, mas as pesquisas apontam empate técnico em torno de 25% das intenções entre a ex-ministra da Defesa Rixi Moncada, do partido governista Liberdade e Refundação; o ex-prefeito da capital Tegucigalpa e preferido de Trump Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional; e o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do centrista Partido Liberal.

“Os três candidatos instalaram a narrativa de que, se não ganharem, será por fraude eleitoral”, afirma o cientista político hondurenho José Mario López, do instituto Equipe de Reflexão, Pesquisa e Comunicação (Eric). Isso aprofunda a polarização e prepara o terreno para que qualquer resultado seja questionado, porque cada grupo está convencido de que seu candidato vai vencer.

A União Europeia (UE) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviaram missões de observação eleitoral. Também devem acompanhar o pleito nove congressistas dos Estados Unidos –sete republicanos e dois democratas.

Trump disse que o direitista Asfura é “o único verdadeiro amigo da liberdade”. Afirmou que “não poderia trabalhar” com Moncada e que não confia em Nasralla. O presidente americnao comparou ainda o destino de Honduras ao da Venezuela e questionou se “Maduro e os narcoterroristas vão tomar outro país”. Na sexta-feira (28), disse que vai indultar o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado por tráfico de drogas nos EUA.

Moncada costuma se referir a Nasralla e Asfura como ‘fantoches da oligarquia’ e afirma que ambos contam com o apoio do setor econômico que derrubou o então presidente Manuel Zelaya, marido de Xiomara, em um golpe militar em 2009. Seus adversários, por sua vez, a rotulam de comunista, criticam seus laços com Cuba e Venezuela e dizem temer que use as Forças Armadas para manipular o processo eleitoral.

A Procuradoria-Geral, alinhada ao partido governista, acusou as siglas de oposição de planejarem fraude e abriu uma investigação sobre gravações que supostamente mostram um político de alto escalão do Partido Nacional discutindo, com um militar, formas de influenciar as eleições. As gravações –que o Partido Nacional afirma terem sido geradas por inteligência artificial– tornaram-se tema central na campanha de Moncada.

“Se eles tentarem nos tocar ou cometer fraude, verão nossa erupção ser como o maior vulcão da história”, disse a candidata em evento de campanha em novembro.

A tentativa de deslegitimar os resultados já estava presente em eleições anteriores, afirma Javier Acevedo, diretor-executivo do Centro de Investigação e Promoção dos Direitos Humanos de Honduras. A diferença, desta vez, é a margem muito reduzida entre os candidatos. Além disso, o estado de exceção em vigor desde 2022 acrescenta uma camada a mais de tensão, ampliando significativamente o poder do partido governista e das Forças Armadas.

Mais de 6,5 milhões de hondurenhos estão aptos a votar –cerca de 6% vivem nos Estados Unidos e podem escolher apenas o presidente. As eleições também renovarão os 128 assentos do Congresso Nacional e os prefeitos de todo o país, para mandatos de quatro anos.

Segundo pesquisa do Instituto de la Justicia, só 27% dos entrevistados confiam que os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) refletirão a vontade dos eleitores. Seja quem for declarado vencedor –os primeiros resultados devem sair no início da madrugada de segunda-feira (1º), pelo horário de Brasília–, o cenário é sombrio.

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