Os meios de comunicação de vários países latino-americanos enfrentam novos mecanismos de pressão que já não têm a sutilidade de décadas passadas, afirmaram hoje jornalistas em um painel da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Buenos Aires, na Argentina.
A imprensa independente sofre pressões por meio de sindicatos afins com os Governos, como é o caso da Argentina, e uma crescente discriminação na distribuição de publicidade oficial, entre outros métodos abordados no painel: “novos mecanismos de censura sutil”.
Nos debates, foi feita uma chamada para que a imprensa e os jornalistas façam uma autocrítica, fortaleçam a transparência informativa e não cedam à tentação de aceitar a autocensura.
O coordenador do painel, Carlos Jornet, diretor do jornal “La Voz del Interior”, da província argentina de Córdoba, ressaltou que é preciso estar “alerta” para “a Lei de Comunicação do Equador” e “os impedimentos ao acesso da informação na Bolívia”.
Além disso, Jornet advertiu sobre a ameaça que supõe “o controle de conteúdos no Uruguai e a pressão judicial sobre meios de imprensa do Brasil”.
Uma recente pesquisa no Fórum do Jornalismo Argentino (FOPEA) segundo o qual 55% dos informadores reconheceram que seu trabalho está condicionado e 27% que fazem um jornalismo complacente.
“Para 53% dos entrevistados, existe uma dependência da publicidade estatal e 34% afirmaram que dependem de publicidade privada”, apontou Blank, para quem a imprensa “não é vítima inocente” dos ataques à liberdade de informação.
A SIP começará neste domingo a leitura de relatórios sobre a situação da imprensa em cada país, com o objetivo de construir um documento que será divulgado na próxima terça-feira, quando acabar a assembleia.