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‘Seu filho foi libertado’: a mensagem que o pai de um militar ucraniano esperava desde 2022

Soldados capturados desde 2022 retornam após acordo entre os dois países, enquanto parentes ainda buscam notícias de desaparecidos

Redação Jornal de Brasília

05/02/2026 17h36

Foto: ROMAN PILIPEY / AFP

Foto: ROMAN PILIPEY / AFP

“Parabéns. Seu filho foi libertado”. Ivan Roman recebeu a mensagem do Exército ucraniano nesta quinta-feira (5) ao meio-dia. Nem o frio nem as últimas horas de espera ofuscaram sua alegria. Ele não o via desde 2022.

“Tenho boas notícias! Ele foi libertado!”, grita ao telefone para um amigo de seu filho.

“Gritei de alegria!”, conta a jornalistas. “Ele está voltando! Inclusive falei com ele por alguns minutos”, exclama.

Rússia e Ucrânia trocaram nesta quinta-feira 157 prisioneiros de guerra de cada lado, algo que não acontecia desde outubro entre os dois países em guerra.

O filho se chama Ivan, como o pai. Ele foi capturado pelo Exército russo em novembro de 2022 em Vugledar, no Donbass, no leste da Ucrânia.

Desde então, o pai compareceu a quase todas as trocas, que até agora são os únicos avanços concretos nas relações entre os dois países em guerra desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.

Não apenas ele, mas também seu companheiro de armas Kolya, da 72ª brigada mecanizada, foi libertado.

Entre a multidão que há horas esperava em frente ao hospital para onde os prisioneiros deveriam chegar, estava Olga Kurk Malayeva, de 26 anos.

Ela sorri porque finalmente poderá ver o marido depois de “três anos e dez meses”. Ruslan, um militar do 501º batalhão de fuzileiros navais, foi feito prisioneiro em Mariupol, a grande cidade do sul da Ucrânia que foi sitiada e caiu nas mãos da Rússia no início da guerra.

“Estou tomada pela emoção”, conta a jovem envolta em uma bandeira da unidade do Exército de seu marido. Vários amigos a acompanham, mas a tensão é tanta que Olga chora, cambaleia e tem dificuldade para respirar.

– Busca desesperada –

A noite cai quando finalmente chegam os três ônibus com os prisioneiros libertados. Pelas janelas, é possível ver seus rostos abatidos. Do lado de fora, na neve e na escuridão, a multidão se aglomera para lhes dar as boas-vindas.

Ivan e Olga desaparecem em meio ao caos.

A jovem consegue abrir caminho até a entrada do ônibus. Abraça o marido quando ele desce e se afasta com ele. Finalmente pôde beijá-lo.

“Bem-vindos!”, “Obrigado!”, gritam as pessoas que formam um desordenado corredor de honra para os homens libertados.

Mas também lançam nomes, como se fossem garrafas ao mar: os de seus entes queridos desaparecidos ou prisioneiros, dos quais não têm notícias há meses, ou até anos.

Essas mães, mulheres, maridos e pais inconsoláveis nunca receberam a mensagem do Exército.

Eles vêm com a esperança de que os prisioneiros saibam algo sobre seus familiares.

Após o caos inicial, os prisioneiros são imediatamente levados para um dos prédios do hospital, onde devem se submeter a exames médicos.

Atrás de uma janela, eles podem ser vistos em um quarto. As mulheres se aproximam e colam as fotos de seus entes queridos no vidro.

Um dos ex-prisioneiros se aproxima, olha as fotos e, diante de cada uma delas, balança a cabeça em sinal de negação.

AFP

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