A Sérvia apresentou hoje a solicitação para fazer parte da União Europeia (UE), informou a emissora “B92”, de Belgrado.
O presidente sérvio, Boris Tadic, entregou o documento ao primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, diante do comissário responsável pela ampliação do bloco, Olli Rehn.
O ato aconteceu em Estocolmo, capital da Suécia – país que ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE.
A solicitação destaca que a decisão de apresentar a candidatura “reflete o consenso da sociedade (sérvia) sobre a orientação europeia” do país e sua entrada na UE.
Em entrevista coletiva, o premiê sueco comentou que a Sérvia deu “um passo histórico” ao apresentar o pedido e afirmou que isso mostra a “firme determinação do Governo e o apoio do povo”.
“A decisão da Sérvia também nos lembra de um dos pilares fundamentais da criação da UE, que é a união da Europa e a aproximação de seus cidadãos”, ressaltou.
Ele lembrou ainda que a solicitação da Sérvia é importante não só para este país, mas para o desenvolvimento dos Bálcãs. Renh disse que o caminho para fazer parte da União Europeia “é longo e muito exigente”, e que “serão necessárias grandes reformas”.
O presidente Tadic, por sua vez, explicou que a Sérvia fará tudo para capturar Ratko Mladic e Goran Hadzic, os únicos dois acusados de crimes de guerra ainda foragidos. Este é um dos principais obstáculos para a aproximação da Sérvia à UE.
Segundo o presidente, a Sérvia espera poder obter o status de candidato até o fim de 2010, mas ressaltou: “Mais importante que o status formal é realizar reformas, atrair novos investimentos e criar postos de trabalho”.
Sobre o Kosovo, Tadic garantiu que a Sérvia nunca reconhecerá sua autoproclamada independência e que persistirá na defesa de sua integridade territorial e da soberania.
“Esta é uma Sérvia diferente da dos anos 90, uma Sérvia que defende seus interesses nacionais legítimos com meios diplomáticos e legais”, recalcou.
Assim, ele se mostrou convencido de que Kosovo não poderá ser o obstáculo para que a Sérvia faça parte da UE.
O comissário europeu para a ampliação, Olli Rehn, celebrou na mesma entrevista coletiva a candidatura sérvia como “a coroa da Presidência sueca” da UE.
“A Sérvia passou um longo caminho nos últimos dez anos para chegar do passado nacionalista até o futuro europeu”, disse Rehn, em alusão ao regime autoritário e belicista do ex-líder sérvio Slobodan Milosevic.
“Consideramos que, após quase uma década de preparativos, o nível de relações atingiu o ponto em que é possível iniciar uma nova fase, cujo objetivo é a entrada e a plena integração da Sérvia como membro da UE”, disse um memorando entregue com a solicitação.
O documento diz ainda que o país compartilha os valores europeus baseados nos princípios democráticos e que o processo de entrada representa um forte impulso à Sérvia para completar as reformas políticas e econômicas, um caminho que “não será fácil ou rápido”.
As autoridades sérvias decidiram solicitar a adesão ao término de um ano durante o qual o processo de aproximação à UE registrou avanços significativos após quase uma década de atrasos.
De fato, o bloco europeu aboliu na semana passada o regime de vistos para os cidadãos sérvios.
Além disso, a Holanda retirou seu veto ao acordo comercial interino da UE com a Sérvia devido à maior cooperação de Belgrado com o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) na busca do suposto criminoso de guerra Ratko Mladic.
No entanto, a captura do general foragido continua sendo o principal obstáculo para a integração do país balcânico e a ratificação do acordo de associação à UE.
Belgrado espera poder conseguir o apoio para sua candidatura durante a Presidência espanhola da UE, no próximo semestre.