O senador republicano de Utah, Orrin Hatch, acusou nesta quarta-feira à Administração de Obama de não ter “coragem” política suficiente nos Tratados de Livre Comércio (TLC) com a Colômbia e Panamá neste ano, e prometeu tomar medidas quanto ao da Coreia do Sul.
A respeito da estagnação dos dois convênios comerciais no Congresso, considera “que é difícil crer que o problema seja falta de informação. O problema é falta de vontade política e falta de coragem política”, afirmou Hatch.
Hatch qualificou de insuficientes as promessas do Governo de Obama de continuar promovendo ambos convênios, e pôs em dúvida que os pactos sejam enviados ao Congresso para sua votação definitiva este ano.
A Administração Obama quer que o pacto comercial com a Coreia do Sul seja ratificado antes de julho deste ano mas, apesar das pressões de democratas e republicanos, não pôs data para os pactos pendentes com a Colômbia e Panamá.
“Quero ser claro: se o presidente não atua (sobre estes acordos), farei eu. Se o presidente ignora a vontade do Congresso e envia o acordo com Coreia do Sul sem os da Colômbia e Panamá, farei tudo o que for necessário para assegurar que esses acordos sejam estudados ao mesmo tempo que o da Coreia do Sul”, ameaçou Hatch, sem dar detalhes.
Hatch, o republicano de maior categoria no Comitê de Finanças do Senado, fez essas afirmações no início de uma audiência com o representante de Comércio Exterior, Ron Kirk, sobre a agenda comercial do presidente Barack Obama em 2011.
A audiência, que registrou tensas discussões entre Hatch e Kirk, só ajudou a fixar as conhecidas posturas da Casa Branca e dos legisladores a respeito da lentidão com que avançam os tratados comerciais.
Kirk, por sua parte, disse que a Administração apoia as ações empreendidas pelo Governo do presidente colombiano Juan Manuel Santos, mas que ainda há assuntos pendentes sobre os que os Estados Unidos não cederá.
Kirk reiterou que os Estados Unidos concluiram o trabalho preparatório sobre a legislação para a iniciada do TLC com a Coreia do Sul, e procederá às consultas técnicas.
O funcionário assegurou que trabalha “sem demoras” para resolver assuntos relacionados com os acordos com a Colômbia e Panamá, para apresentá-los perante o Congresso posteriormente.
Por sua vez, o titular do Escritório do Representante de Comércio Exterior (USTR) seguiu sem responder às exigências dos congressistas de fixar um cronograma para esses acordos.
O presidente do Comitê, o democrata Max Baucus, pressionou nesta quarta-feira a Administração Obama a que envie os três acordos ao Congresso este ano.
Baucus elogiou a redução nas taxas de homicídios e as reformas empreendidas na Colômbia para permitir a formação de sindicatos, e os esforços do Governo de combater a violência contra sindicalistas.
No entanto, considerou que “é preciso mais passos”.
Para o Governo colombiano, no entanto, o TLC com a Colômbia, assinado em novembro de 2006, é uma “unidade selada”, por isso que não há apetite para reabrir as negociações, como sugerem os sindicatos nos EUA.