O novo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado paraguaio, Miguel Abdón Saguier, avaliou hoje a conveniência econômica da entrada da Venezuela no Mercosul, além das críticas da oposição local à política do chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez.
O Senado do Paraguai ainda não definiu uma provável data para debater o ingresso pleno da Venezuela no Mercosul diante da rejeição da oposição, que questiona Chávez, principalmente devido à conduta do governante em relação a veículos de imprensa notadamente opositores.
Até agora, o pedido de adesão da Venezuela foi ratificado pelos Parlamentos de Argentina e Uruguai.
“Quando falamos do Mercosul, temos que estabelecer como premissa que propomos criar um mercado comum e, no momento de formar esse mercado, temos que ver qual é a capacidade desse mercado individual que vai ser integrado”, afirmou Saguier.
O legislador, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita e principal aliado no Congresso do chefe de Estado paraguaio, Fernando Lugo, disse à rádio “Primero de Marzo” que, dessa perspectiva, “a Venezuela é um mercado de muito poder de consumo”.
Além disso, Saguier questionou “o discurso duplo” que impera sobre a Venezuela ao afirmar que “a direita pretende que não seja admitida como membro do Mercosul com base na suspeita sobre a natureza democrática de Hugo Chávez”.
Nesse sentido, lembrou que o principal parceiro comercial da Venezuela são os Estados Unidos e que os países da União Europeia (UE) “têm negócios muito fluidos” com esse país.
“Por outro lado, um país como a Venezuela pode equilibrar as relações que existe entre estes países grandes (do bloco), como Brasil e Argentina, com estes países pequenos (Paraguai e Uruguai)”, apontou Saguier, que destacou a necessidade de “debater e refletir, que é o que mais convém para o Mercosul”.