Menu
Mundo

Senado dos EUA começa histórico debate sobre reforma na saúde

Arquivo Geral

30/11/2009 0h00


O Senado dos Estados Unidos iniciou hoje um histórico debate sobre a reforma do sistema de saúde do país, em meio a turbulências por divergências ideológicas e poucas chances de aprová-la até o final do ano.

“Hoje é o momento mais histórico do Senado dos EUA”, afirmou o líder da maioria democrata da Casa, Harry Reid, que defendeu a reforma como uma iniciativa que “economizará dinheiro, salvará vidas e salvará o sistema Medicare”, voltado para idosos e aposentados.

Reid, que trabalhou incessantemente para angariar adeptos à causa, assegurou que o plano cumprirá com as metas de reduzir os custos de saúde e o déficit fiscal “em curto e longo prazo”.

O debate começou às 18h de Brasília, mas com o pé esquerdo, em meio a acusações da minoria sobre a falta de transparência na elaboração do projeto de lei.

O senador republicano Mike Enzi disse estar “um pouco incomodado” e objetou os regulamentos estabelecidos por Reid para debater emendas, além de acusá-lo de redigir a iniciativa sem a participação republicana.

“Este é um projeto de lei profundamente fracassado que não responde às necessidades do povo americano e elevará os custos com saúde”, afirmou Enzi, resumindo a posição de seu partido.

O debate pode se estender durante semanas devido a inúmeras emendas. As conversas começaram 23 dias depois que a Câmara de Representantes aprovasse, em votação apertada, sua própria versão da reforma de saúde, também fragmentada no que diz respeito aos componentes do plano.

No Senado, os democratas não conseguiram aproximar posições com os republicanos em assuntos como o financiamento do aborto e a “opção pública”, que permite ao Governo concorrer com as seguradoras privadas.

Não está claro se, como deseja Reid, o projeto de lei será votado no plenário do Senado antes do recesso natalino.

A versão da reforma em debate entre os senadores americanos, de US$ 848 bilhões em dez anos, oferece cobertura médica a outros 31 milhões de americanos e pretende reduzir o déficit fiscal. Também inclui a participação voluntária dos estados no programa público de saúde e fundos para o aborto, embora com restrições.

Além disso, permite que os imigrantes legais possam ter acesso à “troca de seguros” administrada pelo Governo e que daria subsídios federais àqueles que não podem pagar um plano de saúde.

Os imigrantes ilegais ficam excluídos da versão do Senado. Na da Câmara de Representantes, poderiam ao menos comprar um seguro de seu próprio bolso.

A iniciativa proíbe que as seguradoras neguem cobertura médica – ou que cobrem mais – a pessoas com condições médicas pré-existentes, e cobre as receitas médicas dos idosos.

A senadora democrata Barbara Mikulski propôs uma emenda para corrigir o que tachou de “discriminação contra as mulheres” no sistema de saúde dos EUA.

“As mulheres muitas vezes pagam mais e obtêm menos. Para muitas seguradoras, ser mulher é uma condição preexistente”, reclamou Mikulski, ao apontar que as mulheres pagam mais pela mesma cobertura dos homens “em iguais condições de saúde”.

Os democratas ainda não têm os 60 votos necessários – entre eles os dois votos independentes – para impedir as obstruções dos senadores contrários à reforma, incluindo alguns democratas moderados.

Embora se trate da maior reforma de saúde em mais de seis décadas, os republicanos não querem dar uma vitória à Casa Branca.

Isso representa um enorme ameaça para o presidente americano, Barack Obama, que venceu as eleições de 2008 graças em parte a sua promessa de reformar o sistema de saúde do país.

A versão que sair do Senado precisará ser harmonizada em sessão bicameral com a aprovada pela Câmara de Representantes no último dia 7 para se transformar em lei.

Segundo uma pesquisa da Kaiser Family Foundation, 58% dos americanos apoiam a reforma, mas a metade destes não está satisfeita com os planos atuais.

Enquanto isso, aumentam as pressões de grupos a favor e contra a reforma por meio de campanhas midiáticas: os conservadores, em geral, tacham a reforma como uma custosa ingerência do Governo; os liberais afirmam que não fazer nada não é uma opção.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado