O enviado especial da ONU para o Afeganistão, o norueguês Kai Eide, admitiu hoje que não será possível eliminar por completo os casos de fraude no segundo turno das eleições no país.
Segundo Eide, o pleito oferecerá dificuldades também porque muitos afegãos não compreendem a necessidade de voltar às urnas.
“Não espero eliminar a fraude em duas semanas”, disse o enviado em entrevista coletiva concedida durante um conselho informal da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bratislava.
O norueguês considerou como “satisfatório” o fato de a fraude em um milhão de votos no primeiro turno no Afeganistão ter sido detectada, embora não pudesse ter sido evitada.
A Comissão Eleitoral do Afeganistão convocou o segundo turno para o próximo dia 7 após invalidar os votos fraudulentos do primeiro, realizado em 20 de agosto, e confirmar que o atual presidente, Hamid Karzai, não tinha alcançado a maioria absoluta necessária para se reeleger.
Para Eide, no curto prazo, mais tropas internacionais farão falta no Afeganistão e é necessário que “alguns países” comecem a colaborar mais seriamente com o restante dos aliados no terreno.
“Acho que serão necessárias não só mais tropas internacionais no curto prazo, mas também mudar o modo de agir de alguns países, cujas tropas estão ao lado de outras, mas não trabalhando com elas”, disse o enviado da ONU.
Eide se mostrou “completamente de acordo” com o relatório do Comandante da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês), general Stanley McChrystal, que pediu o envio de entre 30 mil e 40 mil soldados ao Afeganistão que se juntariam aos 71 mil que já estão no país.
Eide defendeu contatos “com as superestruturas da insurgência talibã” caso finalmente tenha início um período de reconciliação no Afeganistão.
O enviado da ONU admitiu que, atualmente, a comunidade internacional gasta muitos recursos em iniciativas que “não funcionam” no país asiático.
“Assim como devem ser construídas Forças Armadas sustentáveis, nós devemos criar uma economia sustentável”, disse.