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Secretário-geral da ONU pede que Junta Militar adie referendo em Mianmar

Arquivo Geral

08/05/2008 0h00

O secretário-geral da ONU, this Ban Ki-moon, online pediu hoje à Junta Militar de Mianmar que adie o referendo constitucional do dia 10 de maio por causa do desastre que atinge o país e 1,5 milhão de seus habitantes.

Ban “está profundamente preocupado com o bem-estar do povo de Mianmar neste momento de tragédia nacional e destaca a decisão do Governo de não adiar o referendo” do dia 10 de maio, diz uma mensagem do dirigente da ONU

Além disso, recomendou que, “diante da magnitude do desastre, seria prudente” que a Junta Militar birmanesa “concentrasse seus esforços em mobilizar todos os recursos e capacidades para responder à emergência”.

Pouco antes, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, expressou a decepção da instituição pela resposta que o Governo birmanês deu à ajuda humanitária internacional e aumentou para até 1,5 milhão de pessoas as atingidas por uma situação “cada vez mais desesperadora”.

“Sinto-me decepcionado com o progresso que foi possível até este momento, se avançou um pouco, mas não o que se necessita para responder a este tipo de desastre”, declarou.

Holmes considerou insuficientes os quatro vôos com assistência humanitária que as Nações Unidas conseguiram fazer chegar hoje ao aeroporto de Yangun e lamentou que as autoridades birmanesas continuem sem conceder vistos aos voluntários internacionais que desejam auxiliar nas tarefas de ajuda.

“Calculamos que há 1,5 milhão de pessoas gravemente atingidas pelo desastre e se corre o perigo de que a tragédia seja ainda maior se não se atuar com rapidez”, afirmou.

Holmes adotou hoje uma posição mais crítica com as autoridades birmanesas, depois que na última quarta afirmou que as operações “caminhavam na direção correta”.

Além disso, declarou que o regime militar que governa Mianmar deve “aumentar” a escala de suas operações de ajuda às vítimas do ciclone e pediu que “mudem sua atitude” com relação a suas reservas para receber assistência do exterior.

Somente dois dos cinco integrantes da equipe de especialistas da ONU que devem avaliar a magnitude do desastre humanitário conseguiram entrar no país, apesar das intensas negociações diante das autoridades consulares, declarou.

“As autoridades não nos deram explicações da razão de não terem nos entregado os vistos, e se limitam a dizer que têm que consultar seus superiores”, afirmou.

Holmes atribuiu a situação ao caráter “isolado” e “suspeito do exterior” da Junta Militar que rege o país asiático desde 1962.

Neste sentido, considerou “lamentável” que não tenham sido aceitas as ofertas de alguns países de enviar unidades navais para o litoral da região atingida no sul de Mianmar, tal como fez após o tsunami que devastou vários países ribeirinhos do Oceano Índico em dezembro de 2004.

“O que simplesmente fizemos é ajudar o Governo de Mianmar para cumprir sua obrigação de proporcionar proteção a seus cidadãos”, declarou.



 

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