O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, disse hoje que viu avanços “promissores” na reforma da estrutura econômica mundial, que requer que seu país aumente a economia e que outros países consumam mais.
Geithner constatou o aumento da demanda interna na China, Japão e outros países emergentes, em um comparecimento perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado.
O secretário disse que, para que a recuperação seja sustentável, o mundo não pode depender do consumo americano, como no passado.
“É preciso fazer progredir a agenda de reformas enquanto a memória da crise ainda está fresca”, disse.
Geithner pediu que a China tenha mercados “mais abertos” e promova mudanças em seu sistema cambial. Os Estados Unidos insistem em que o iuane está subvalorizado, o que barateia as exportações chinesas.
No âmbito financeiro, disse que estão sendo realizadas negociações “detalhadas” sobre um futuro acordo internacional que estabelecerá os requisitos de ofertas das entidades financeiras, que estaria pronto no final de 2010.
O secretário também se referiu à redistribuição do voto no Fundo Monetário Internacional (FMI), que está sendo negociada, atualmente, pelos 186 países-membros.
Afirmou que seus órgãos de gestão devem refletir a estrutura atual da economia mundial, o que significa “dar maior representação aos mercados emergentes dinâmicos e aos países em desenvolvimento que têm agora um papel mais importante” no planeta.
Na cúpula de setembro, em Pittsburgh, o Grupo dos Vinte (os países mais ricos e os principais emergentes) pediu a transferência de pelo menos 5% do voto dos países ricos às nações em desenvolvimento no FMI e de 3% no Banco Mundial.
Geithner disse esperar que se chegue a um acordo a respeito na próxima assembleia conjunta das duas organizações, que acontecerá em Washington no final de abril de 2010.
O secretário americano também comparecerá no Congresso na quinta-feira, quando explicará o plano do Governo para reformar o sistema financeiro, em uma audiência diante do Comitê Econômico Conjunto das duas câmaras.
Geithner falará no momento em que o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes (Câmara Baixa) finaliza vários projetos de lei para implementar algumas dessas propostas, como dar mais poder às agências reguladoras para intervir e desmembrar entidades financeiras que representam um perigo para o sistema.